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Ucrânia: Pressionados pelo FMI, políticos publicam declarações de rendimentos e bens

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De  Nelson Pereira
Ucrânia: Pressionados pelo FMI, políticos publicam declarações de rendimentos e bens

<p>Os ucranianos estão chocados com os elevados rendimentos e bens declarados pelos funcionários e dirigentes políticos.</p> <p>A publicação online das declarações de rendimentos e bens era uma das condições exigidas pelo Fundo Monetário Internacional (<span class="caps">FMI</span>) para continuar a apoiar o programa económico da Ucrânia.</p> <p>“Antes não eram obrigados a declarar os valores em espécie, não declaravam relógios, carros e propriedades – agora têm de declarar tudo isto. Isto pode ser uma nova revolução na Ucrânia”, explicou Olexandra Ustinova, do organismo público de controlo anti-corrupção.</p> <p>O Presidente ucraniano Petro Poroshenko, proprietário de mais de uma centena de empresas na Ucrânia e no estrangeiro, casas, terras, carros, pinturas e joias, já disse que todos os seus bens e propriedades foram adquiridos antes de assumir a Presidência.</p> <p>Alguns declararam guardar em casa milhões de dólares em dinheiro, há também quem declare ter emprestado milhões a amigos, tudo informações impossíveis de verificar, que podem deixar mãos livres ao branqueamento de dinheiro. Ao mesmo tempo que escandalizam uma nação onde a média dos salários ronda os 200 euros.</p> <p>Para o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (<span class="caps">PNUD</span>) na Ucrânia, Jan Thomas Hiemstra, algumas declarações podem vir a ser alvo de investigações: </p> <p>“A Ucrânia decidiu fazer este passo importante, o que pode justificar investigações ou a abertura de processos. Porém, caberá às autoridades ucranianas decidir quais as ações a empreender. Acredito que a comunidade internacional e as Nações Unidas apoiarão a Ucrânia nos próximos passos”, disse Hiemstra.</p> <p>Terminava no domingo o prazo para lançamento das declarações na base pública online, com informação sobre os rendimentos que os funcionários e dirigentes políticos detêm em seu nome ou dos familiares.</p> <p>Estava previsto que o sistema estivesse em funcionamento a partir de 15 de agosto, mas só foi disponibilizado a 1 de setembro. O <span class="caps">FMI</span>, que suspendera durante mais de um ano o programa de ajuda económica à Ucrânia, informou no dia 15 de setembro que este será retomado, aprovando a transferência de mil milhões de dólares (que somam um total de mais de 7,6 mil milhões de dólares).</p>