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Presidenciais americanas 2016: A caça aos desmotivados

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De  Euronews
Presidenciais americanas 2016: A caça aos desmotivados

<p><strong>Na rampa final de uma campanha presidencial americana agitada e recheada de escândalos, quando resta pouco tempo aos dois principais candidatos, discutimos com o nosso correspondente em Washington, Stefan Grobe, as últimas surpresas desta na corrida à Casa Branca.</strong></p> <p><strong>Mark Davis</strong><br /> Stefan, quais são as novidades?</p> <p><strong>Stefan Grobe</strong><br /> Na política, uma semana pode ser uma eternidade. Na semana passada falávamos de uma vitória garantida de Hillary Clinton com uma possível viragem no Texas e na Geórgia. Agora a perspetiva é outra, embora não inteiramente diferente, porque o que conta são os votos e os números reais e não as sondagens. A votação antecipada já decorre há algum tempo em muitos Estados e sabemos quantos democratas registados e quantos republicanos registados já votaram – em comparação com 2012, nesta fase os números parecem muito bons para Clinton no Colorado e Carolina do Norte e razoavelmente bom na Flórida. Se ela arrebatar estes três estados, a corrida acaba. Entretanto, a corrida ficou mais cerrada desde que Trump pôde colher benefícios da bomba lançada pelo <span class="caps">FBI</span> (Agência Federal de Investigação).</p> <p><strong>Mark Davis</strong><br /> Em que vão os candidatos concentrar a atenção na semana final?</p> <p><strong>Stefan Grobe</strong><br /> O foco deslocou-se para Estados que são garantidamente democráticos, especialmente o chamado muro azul a norte, Pensilvânia, Wisconsin e Michigan. Estes são os Estados que Donald Trump tem na mira com o objectivo de forjar um caminho para a vitória. Ele tem um discurso voltado para os eleitores da camada operária, o discurso de alguém que dá voz às suas frustrações económicas. Isto pode resultar ou não. A campanha de Clinton, bem apoiada com dinheiro, esta a seguir Trump nestes Estados, comprando publicidade no norte, no Colorado, Virgínia, o que pode revelar o nervosismo de Clinton e uma aposta em defender o que parece ser o seu terreno em vez de arriscar em Estados vermelhos tradicionais como o Texas e a Geórgia.</p> <p><strong>Mark Davis</strong><br /> Disseste na semana passada que falta a Trump o contacto direto com os eleitores. Como é que Clinton pode usar esse contacto com as bases a seu favor?</p> <p><strong>Stefan Grobe</strong><br /> Bem, para chegar aos eleitores, é necessário dispor de uma equipa que se ocupe dessa mobilização, é preciso sair à rua, ter o apoio de bases de dados muito sofisticadas, com informações sobre os salários, estatuto, hábitos de consumo, etc. Não é um porta-a-porta aleatório, trata-se de atrair os eleitores menos motivados que já estão no campo do candidato, que estão registados, mas não participam regularmente nas eleições. A campanha de Clinton desenvolve esse tipo de operação em Estados que são campos de batalha críticos, como por exemplo a Flórida, onde têm muitas centenas de elementos de ligação de língua espanhola para estimular a participação dos eleitores democráticos menos motivados. Esta é uma arma que pode vir a ajudar Clinton na fase derradeira na Flórida e noutros lugares.</p>