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Portugal e Espanha reforçam laços ibéricos e abordam central nuclear


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Portugal e Espanha reforçam laços ibéricos e abordam central nuclear

O primeiro-ministro de Portugal visitou esta segunda-feira o homólogo espanhol e, durante uma reunião-almoço, os dois governantes reforçaram os laços ibéricos e abordaram a situação de ambos os países no contexto europeu e mundial. A recente eleição de Donald Trump como sucessor de Barack Obama foi um dos temas na “ementa”, nomeadamente a posição do Presidente eleito dos Estados Unidos face à imigração e às questões climticas.

O primeiro-ministro português defendeu que “a melhor maneira de travar a corrida para o abismo”, citada pelo ex-presidente Jorge Sampaio perante o “Brexit” e a eleição de Trump, é dar “respostas concretas” aos cidadãos e “aumentar a cooperação” entre os Estados-membros da União Europeia. António Costa expressou esta opinião no final de uma reunião-almoço com Mariano Rajoy, o primeiro encontro do recém-eleito primeiro-ministro espanhol com o líder de um governo internacional.


Para o primeiro-ministro português, “a resposta a quem tem medo da ameaça terrorista não é fechar as fronteiras, é aumentar a cooperação” europeia nas áreas policial, judicial ou serviços de segurança. “Temos de investir na cooperação com os países africanos para conter na origem a pressão migratória”, sublinhou ainda António Costa, insistindo que “a boa resposta não é o protecionismo”.

Num ensaio para o jornal Público, com mais de cinco páginas, o ex-presidente Jorge Sampaio lançou esta segunda-feira um apelo para travar a “corrida para o abismo” potenciada pelo Brexit e pela vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas, alertando que não haverá paz duradoura se a desconfiança persistir. O ex-chefe de Estado português refere-se ao resultado das presidenciais da semana passada nos Estados Unidos, que deram a vitória ao magnata republicano Donald Trump, para advertir que é “impossível não olhar já para as eleições de 2017 em França e na Alemanha como próximas etapas prováveis desta corrida para o abismo”.

Cimeiras ibéricas retomadas com cruzeiro no Douro

António Costa e Mariano Rajoy reafirmaram a vontade dos dois países ibéricos de manter “uma boa relação amigável com os Estados Unidos”, mas no só. “O que desejo é que cada país europeu mantenha excelentes relações com os Estados Unidos”, afirmou Costa.


Em relação às relações bilaterais, Mariano Rajoy anunciou o acordo com António Costa de se retomarem em 2017 as cimeiras ibéricas, interrompidas este ano devido à situação especial governativa vivida em Espanha. Depois de a última se ter realizado em Baiona, na Galiza, a reunião do próximo ano acontecerá em Portugal, mas começará em Espanha, disse António Costa, referindo que a cimeira se iniciará com “uma curta descida do Douro internacional”, no “início da primavera.”

Prometida ficou também, pelo Presidente do Governo espanhol, a resolução “o mais rápido possível das dúvidas que podem ter sido levantadas” em relação às condições de segurança da central nuclear de Almaraz, situada na província de Cáceres, na Extremadiura espanhola, a qual é refrigerada pelas águas do Rio Tejo. Em setembro, o ministro português do Ambiente, João Matos Fernandes, havia solicitado uma reunião urgente a Espanha por causa da cosntrução de um depósito para resíduos nucleares também naquela região, o que poderia supor um alargamento da “vida” da central para lá da data de encerramento fixada em 2020.

“Nós queremos transparência total. Temos o maior interesse do mundo, por razões óbvias, no cumprimento das mais estritas condições de segurança em Almaraz”, garantiu Rajoy, acrescentando que os membros do executivo espanhol responsáveis pelas pastas do Ambiente, da Indústria e da Energia enviaram na semana passada uma carta ao ministro João Matos Fernandes à cerca do que está a ser feito no âmbito da central nuclear construída em 1970.

De Madrid para Marrocos, em nome do ambiente

António Costa tomou posse em 26 de novembro de 2015 e menos de um mês depois, na sequência das eleições de 20 de dezembro, Mariano Rajoy passou a liderar um executivo de gestão, com poderes limitados e reduzindo ao mínimo os contactos internacionais.

O líder do Partido Popular (direita) tomou posse em 31 de outubro último e formou o atual Governo minoritário há precisamente uma semana, a 04 de novembro, depois de 10 meses de instabilidade política que levou à realização de umas segundas eleições em 26 de junho.



Trata-se da primeira visita oficial de António Costa a Madrid, mas os dois têm-se visto nas cimeiras da União Europeia. Pelo meio, a 30 de setembro estiveram juntos na inauguração, no Porto, de uma exposição do pintor catalão Juan Miró seguida de um jantar privado a seguir a essa cerimónia.

Depois deste encontro de Madrid, Costa e Rajoy viajam separadamente para Marraquexe para participar na conferência sobre o clima na Cimeira COP22, na sequência da entrada em vigor do Acordo de Paris. Em Marrocos, “Portugal procura a defesa das energias renováveis e a sua integração em rede como solução”. “Queremos energia verde e livre. Por isso, é tão importante a questão das interligações elétricas no debate das renováveis”, afirmou ao Dinheiro Vivo o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches.



Pelo lado do presidente do Governo espanhol, quando regressar de Marraquexe, irá receber na quarta-feira de manhã o novo secretário-geral eleito das Nações Unidas, o português António Guterres. O ex-primeiro-ministro português, que irá suceder na ONU a Ban Ki Moon a 01 de janeiro, irá receber no mesmo dia o título de doutor Honoris Causa da Universidade Europeia de Madrid pela forma como liderou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

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