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Guerra dos Balcãs: Croácia assinala o Dia da Memória de Vukovar


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Guerra dos Balcãs: Croácia assinala o Dia da Memória de Vukovar

Esta sexta-feira, 18 de novembro, assinalam-se os 25 anos sobre o fim do trágico cerco de Vukovar, cidade croata junto à fronteira com a Sérvia e palco de um dos mais sangrentos episódios da Guerra dos Balcãs, tendo ficado conhecida como a primeira cidade na Europa a ser destruída por bombas depois do fim da II Guerra Mundial.

Para lembrar as mais de três mil vítimas, entre mortos, feridos e desaparecidos, foi criado este Dia da Memória de Vukovar.

Na noite anterior, por toda a Croácia são acesas milhares de velas para recordar as vítimas desta batalha que ficou ligada à independência croata. Esta quinta-feira não foi exceção.

Só na capital, Zagreb, terão sido acesas mais de 8000 velas a iluminar a Rua Vukovar.

Um quarto de século depois, os responsáveis pela perseguição e tortura de muitos dos resistentes nesta pequena cidade croata ainda são procurados para serem levados à justiça. Alguns dos suspeitos têm agora cargos políticos, por exemplo na Sérvia, sendo por isso difícil intima-los.

Um caso já julgado em Haia é conhecido, o dos “três de Vukovar”: Mile Mrksic, Veselin Šljivančanin e Miroslav Radić foram acusados de crimes contra a humanidade. Um quarto suspeito, Slavko Dokmanović, foi detido, mas suicidou-se na prisão.

O drama vivido é mantido vivo na zona, em diversos memoriais. Por exemplo, no hospital onde muitos dos feridos foram tratados durante o cerco e que ainda hoje funciona com um museu na cave.

Quando o hospital foi tomado, há relatos de mais de 200 pessoas terem sido levadas e executadas cinco quilómetros a sul de Vukovar.

Foi numa quinta em Ovcara, na noite de 21 para 22 de novembro. As vítimas executadas foram enterradas numa vala comum — hoje há um monumento também neste local.

O advogado e presidente da Associação Vukovar 1991 conta-nos que esteve, em julho, em Belgrado, capital da Sérvia, e falou com a procuradora-chefe adjunta, responsável pelos crimes de guerra. “Ela admitiu sem rodeios que até hoje nada foi feito, nem uma só investigação. Até à nossa visita, os políticos não permitiram que o processo andasse em relação às acusações criminais”, acusou Zoran Sangut.

As autoridades de Zagreb estimam que mais de 20 mil croatas e outros não sérvios terão sido expulsos de Vukovar, cidade onde antes da guerra dos Balcão terão residido mais de 80 mil pessoas, divididos entre croatas e sérvios. O presidente do conselho municipal garante ser “impossível aos agressores ainda andarem livres pelas ruas de Vukovar”.

“Por outro lado, em quantos casos foram presos os defensores croatas nas fronteiras? Nem no nosso país podem viver em liberdade”, lamenta Igor Gavric, croata destacado em Vukovar e descrito na Sérvia como um fascista depois de ter sido registado em vídeo (em baixo) a cantar uma canção da Ustaše, o regime de extrema-direita colocado no poder croata por alturas da II Guerra Mundial.

O cerco de Vukovar começou a 25 de agosto de 1991 e durou quase três meses, até 18 de novembro. Mais de 35 mil soldados do exército da antiga Jugoslávia contra apenas 1800 entre elementos da guarda nacional croata e voluntários civis.

De acordo com dados do hospital de Vukovar, 1624 pessoas foram mortas, incluindo 12 crianças, e 2557 ficaram feridas e mais de 350 soldados croatas foram dados como desaparecidos. Depois da tomada de Vukovar, centenas de civis terão sido levados para campos de concentração na Sérvia e foram torturados, violados e alguns executados.

Em 2005, o Tribunal Especial de Belgrado condenou 16 suspeitos relacionados às execuções de pacientes e civis capturados no hospital de Vukovar. O tribunal regional de Vukovar abriu processos contra 235 suspeitos de crimes de guerra. Meia centena foi condenada, mas apenas sete cumpriram pena de prisão.

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