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Bolívia raciona água potável devido à pior seca dos últimos 25 anos


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Bolívia raciona água potável devido à pior seca dos últimos 25 anos

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A Bolívia está em estado de emergência desde segunda-feira por causa da pior seca dos últimos 25 anos. O Presidente boliviano deslocou-se, entretanto, a um dos reservatórios onde a companhia estatal de água e saneamento, EPSAS, construiu uma canalização para abastecer a capital, La Paz.

Evo Morales confrontou os agricultores da zona, por ali reterem a água para proveito próprio e resistirem a partilha-la com os habitantes da capital. Não foi o único momento de tensão enfrentado por Morales devido a esta crise.

Os três principais reservatórios de água de La Paz estão quase secos. Um deles, o de Ajuan Khota, está somente a um por cento da capacidade. Incachaca está a oito por cento e Hampaturi a cinco.

Irlaria Quispe, reside na capital, lamenta: “Ajuan Khota está seco. A água está a desaparecer. Há muito pouca ou quase nenhuma e o meu mais novo precisa de água, mas ela está a evaporar-se.”

Esta seca prolongada já afeta mais de 125 mil famílias. As autoridades não têm escolha: têm de racionar a distribuição de água potável.

As escolas, por exemplo, vão ter de fechar duas semanas mais cedo este ano para prevenir a propagação de doenças. Diretora de uma escola em La Paz, Rocío Lazarte conta-nos que está “já há mais de três semanas sem abastecimento de água”. “Tudo o que tínhamos para as crianças era a água que descia da colina”, revela-nos.

Um terço da população da capital da Bolívia, — cerca de 340 mil habitantes — sofre de restrições de água há duas semanas. Nos bairros mais afetados, os protestos agravam-se.

Mas La Paz não é a única cidade a sofrer. Cochabamba, no centro do país; Oruro, no ocidente; POotosí, no sioeste; Sucre, no sudeste; e Tarija, no sul, também estão sob racionamento de água.

As pessoas acusam a companhia de águas de corrupção e o governo de mã gestão das provisões. A oposição junta ainda à lista de responsáveis pela crise as empresas chinesas que se dedicam à atividade mineira na Bolívia.

Outra residente em La Paz, Virginia López diz-nos não ter água “desde segunda-feira”. “Na segunda à noite tivemos água por cerca de 10 minutos, mas vinha suja. Era amarela. Agora, é essa água suja que temos de beber”, protesta.

Encostado às cordas, o Presidente Morales atribui a crise de água sobretudo às alterações climáticas, mas também à má gestão da companhia de águas e já despediu dois dos funcionários da empresa pública.

Quanto às acusações a empresas chinesas, o chefe de Estado relaciona-as com os interesses corporativos para que os Estado Unidos voltam a dominar o setor.

“Os gestores da EPSAS nunca nos alertaram para a situação. Não estou a sacudir as culpas. Somos culpados. Peço desculpa ao povo de La Paz”, disse numa comunicação aos bolivianos perante as câmaras de televisão.

Entre 30 a 50 por cento dos glaciares nos Andes bolivianos já derreteram desde a década de 70 do século passado devido às alterações climáticas. Estes glaciares são uma fonte de água indispensável da Bolívia. Dois deles correm o risco de desaparecer por completo até final de 2030.

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