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Martin Schulz, do azar no futebol ao duelo alemão com Merkel

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De  Francisco Marques  com Lusa
Martin Schulz, do azar no futebol ao duelo alemão com Merkel

<p><hr></p> <b>Martin Schulz</b>, alemão, 60 anos: <ul> <li>Nasceu a 20 de dezembro de 1955, em Hehlrath, nordeste de Eschweiler, Renânia do Norte-Vestfália, no leste da Alemanha;</li> <li>É casado com Inge Schulz, uma arquiteta paisagista, tem dois filhos e segue a religião protestante;</li> <li>Tentou uma carreira no futebol, mas foi impedido por uma lesão, entrou em depressão e teve problemas de alcoolemia;</li> <li>É adepto do FC Colónia, atual 4.° classificado da “Bundesliga”, o principal campeonato de futebol da Alemanha;</li> <li>É um confesso apaixonado por livros, igualdade social e a União Europeia;</li> <li>Assume-se “amigo de Portugal” e diz ter “um coração lusitano.”</li> </ul> <hr> <b>Martin Schulz</b> faz parte dos quadros do Partido Social-Democrata (<span class="caps">SPD</span>, na sigla original), força política posicionada no centro-esquerda da Alemanha. Juntou-se ao partido em <b>1974</b>, com 19 anos, através da organização “Jusos”, a juventude socialista do <span class="caps">SPD</span>.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="de" dir="ltr">Die Entscheidung von <a href="https://twitter.com/MartinSchulz"><code>MartinSchulz</a> ist eine schlechte Nachricht für <a href="https://twitter.com/hashtag/Europa?src=hash">#Europa</a> – und eine gute für Deutschland. <a href="https://twitter.com/hashtag/Schulz?src=hash">#Schulz</a></p>&mdash; Sigmar Gabriel (</code>sigmargabriel) <a href="https://twitter.com/sigmargabriel/status/801731180823543808">24 de novembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <div align="center">(Sigmar Gabriel, líder do <span class="caps">SPD</span>, vice-chanceler e ministro da Economia alemão:<br /> <i>“A decisão de Mattin Schulz é uma má notícia para a Europa, mas é boa para a Alemanha.”</i>)</div></p> <p>A aposta pessoal era fazer carreira no futebol, uma das grandes paixões. Chegou a semi-profissional, <a href="https://www.facebook.com/pg/martinschulz.eu/about/?entry_point=page_nav_about_item&ref=page_internal">revela na biografia da conta de Facebook oficial,</a> mas duas lesões graves num joelho, aos 18 anos, obrigaram-o a repensar os planos. </p> <p>A frustração tê-lo-á ajudado a refugiar-se na ilusão do álcool. <a href="https://www.ft.com/content/c76118f6-acd7-11e2-9454-00144feabdc0">De um momento para o outro, tinha falhado na escola e o meu futebol tinha acabado. Caí numa crise profunda e comecei a beber demasiado</a>, contou o próprio numa entrevista a 26 de abril de 2013 ao financial Times.</p> <p>Especializou-se, então, no mercado livreiro e viria a ter mesmo uma livraria em nome próprio.</p> <p>Em <b>1984</b>, foi eleito para o Conselho Municipal de Würselen, a cidade onde estudou, situada a noroeste de Eschweiler, de onde é natural. A partir de <b>1987</b>, e até 1998, foi o presidente da câmara — foi aliás o mais novo autarca a exercer na Renânia do Norte-Vestfália.</p> <p>Em <b>1994</b>, foi eleito para o Parlamento Europeu e entre 2000 e 2004 liderou a delegação do <span class="caps">SPD</span>. Fez parte de diversas comissões europeias, incluindo a das Liberdade Civis, Justiça e Assuntos Internos e a subcomissão dos Direitos Humanos.</p> <p>De vice-presidente do grupo socialista no Parlamento Europeu passou, em <b>2004</b>, a presidente do <a href="http://www.pes.eu/">Partido Socialista Europeu</a> (<span class="caps">PSE</span>), grupo que junta os socialistas, os sociais-democratas e os partidos trabalhistas europeus. </p> <div style="width:50%; float:right; margin-left:8px;margin-bottom:8px;margin-right:8px;">   <div style="background-color:#e8e8e8; font-size:14px; padding:8px;border-radius:8px;"> <b>Schulz, o “amigo de Portugal”</b> <p>Martin Schulz é um assumido “amigo de Portugal”, que já visitou diversas vezes e que ainda recentemente defendeu no caso do defice excessivo, insurgindo-se contra a aplicação de qualquer sanção ao país.</p> <p>Em abril passado, por ocasião de uma visita oficial do Presidente da República a Estrasburgo, Schulz revelou que teve mesmo oportunidade de confidenciar a Marcelo Rebelo de Sousa ter um coração “lusitano”. </p> <p>“Portugal é uma grande nação e os portugueses são um grande povo. Eu não quero repetir o que já disse bilateralmente (ao Presidente da República), mas posso confessar que o meu coração é lusitano, e depois do discurso do chefe de Estado ainda mais”, declarou então o presidente da assembleia europeia, pronunciando até algumas palavras em português. “A vossa luta é a nossa luta, estamos ao vosso lado”, disse Schulz. </div> </div>Assumiu a oposição ao social-democrata português português José Durão Barroso, eleito em novembro de 2004 para Presidente da Comissão Europeia e criticado pelo alemão pela proposta de nomeação do italiano Rocco Buttiglione, conhecido pelas posições públicas de homofobia. </p> <p>Teve o apoio de deputados europeus de outros quadrantes e conseguiu evitar a nomeação do italiano. Mas o atrito com Barroso não terminaria. Em <b>2009</b>, opôs-se à aprovação de um segundo mandato do português à frente da Comissão Europeia, propondo antes o liberal belga Guy Verhofstadt para o lugar.</p> <p>Após receber garantias de Barroso, Schulz exigiu concessões aos socialistas europeus. No voto de confiança ao português, a maioria do grupo liderado pelo alemão absteve-se, permitindo a recondução do antigo primeiro-ministro de Portugal à frente da Comissão Europeia.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">.<a href="https://twitter.com/EPPGroup"><code>EPPGroup</a> calls for political stability until 2019 elections <a href="https://twitter.com/ManfredWeber"></code>ManfredWeber</a> <a href="https://t.co/C9SyqHIAOm">https://t.co/C9SyqHIAOm</a></p>— <span class="caps">EPP</span> Group (@EPPGroup) <a href="https://twitter.com/EPPGroup/status/801756488276594689">24 de novembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <div align="center">(O grupo <span class="caps">PPE</span> apela à estabilidade política até às eleições de 2019.)</div></p> <p>O alemão foi proposto em setembro de 2011 pela Aliança Progressiva dos Socialistas e Democratas (S&D) europeus, que liderava, para suceder ao polaco Jerzy Buzek na presidência europeia, a qual era dividida com o <a href="http://www.epp.eu/about-us/history/">Partido Popular Europeu</a> (<span class="caps">PPE</span>) numa rotação de 30 meses em cada mandato de cinco anos.</p> <p>Foi eleito a <b>17 de janeiro de 2012</b>, por larga maioria: 387 votos de um total de 670 — em segundo lugar ficou o britânico Nirj Deva, com 142 votos.</p> <p>Em <b>junho de 2013</b>, <a href="http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/chave-de-honra-de-lisboa-a-martin-schulz">Martin Schulz recebeu a Chave de Honra da cidade de Lisboa,</a> das mãos do então presidente da câmara “alfacinha” e agora primeiro-ministro português António Costa. </p> <p>Schulz foi distinguido, personificando o Parlamento Europeu e o “incansável combatente por uma Europa de liberdade, progresso, justiça, solidariedade e paz.” </p> <img src="http://www.cm-lisboa.pt/typo3temp/pics/0aa5794e8f.jpg" width="100%" height=auto> </p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="pt" dir="ltr">António Costa entregou a Chave de Honra de Lisboa ao presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz – Ler mais em <a href="http://t.co/8d1Bl8PSB5">http://t.co/8d1Bl8PSB5</a></p>— Lisboa (@CamaraLisboa) <a href="https://twitter.com/CamaraLisboa/status/348164646928281600">21 de junho de 2013</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Martin Schulz viria a ser reconduzido na liderança do Parlamento Europeu, em consequência das eleições europeias de <b>maio de 2014</b>, assumindo o primeiro turno do mandato então a começar.</p> <p>Agora, perante algum impasse entre o <span class="caps">PPE</span> e os S&D, Martin Schulz contava com o apoio para se manter para lá de janeiro na presidência do Parlamento Europeu de uma “larguíssima maioria” dos socialistas e democratas europeus, garantia esta semana o eurodeputado socialista português Carlos Zorrinho, ao jornal Público.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="pt" dir="ltr">Socialistas portugueses querem que Schulz continue à frente do Parlamento Europeu <a href="https://t.co/EEx10j0YYB">https://t.co/EEx10j0YYB</a></p>— Carlos Zorrinho (@czorrinho) <a href="https://twitter.com/czorrinho/status/800964032584970240">22 de novembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>No entanto, o alemão vai mesmo sair da cena europeia e permitir a tradicional rotatividade de 30 meses em cada mandato da liderança do Parlamento Europeu.</p> <p>Em janeiro há eleições para a liderança da Assembleia dos “28”, de novo para concretizar a rotação da presidência entre a esquerda e a direita europeias. Schulz cumpriu dois turnos: o último do anterior mandato e o primeiro do atual. </p> <p>Agora, anunciou, vai dedicar-se à Alemanha e apostar na conquista da liderança pelo <span class="caps">SPD</span> do governo alemão frente à já anunciada recandidatura de Angela Merkel, a líder da Coligação Democrática Cristã, de direita.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">I will not seek a new mandate as <a href="https://twitter.com/EP_President"><code>EP_President</a> and will continue to defend <a href="https://twitter.com/hashtag/EU?src=hash">#EU</a> project from national politics <a href="https://t.co/i2lxwxwGU8">pic.twitter.com/i2lxwxwGU8</a></p>&mdash; EP President (</code>EP_President) <a href="https://twitter.com/EP_President/status/801722788709068800">24 de novembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>