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Itália: Oposição contesta reforma constitucional e apela a votar "Não" no referendo


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Itália: Oposição contesta reforma constitucional e apela a votar "Não" no referendo

Os italianos pronunciam-se em referendo, este domingo, sobre uma série de reformas constitucionais propostas pelo primeiro-ministro, Matteo Renzi.

Apresentadas com as reformas mais importantes desde a segunda guerra mundial, elas visam pôr fim à instabilidade política em Itália, um país que teve já 63 governos em 70 anos de democracia.

No sistema atual, as leis devem ser aprovadas pelas duas câmaras do parlamento, o que torna o processo legislativo muito moroso. O que está em causa nesta mudança é o senado, que irá perder peso político face à câmara dos deputados.

Dos 315 senadores eleitos atualmente, apenas vão ficar 100, dos quais 74 escolhidos pelos conselhos regionais, 21 pelos presidentes de câmara e 5 nomeados pelo presidente da república.

Desta forma, os governos das 20 regiões italianas devem conceder poderes ao Estado, o que não agrada a muitos, sobretudo a Lega do Nord, o poderoso partido regionalista que fez campanha pelo “Não”.
“É uma reforma que retira poderes, liberdade e fundos às regiões, mesmo às mais bem administradas”, afirma o líder da Lega, Matteo Salvini.

Também o partido Forza Itália, assim como o seu fundador, Silvio Berlusconi, qualificam as reformas de perigosas:
“Uma iminente jurista alemã diz que isto é um golpe de Estado tranquilo. Renzi tem que ter muita atenção a esta reforma que pensa que lhe é favorável. Toda a gente vai poder ganhar, mesmo Grillo”.

“Com a cláusula da supremacia, o governo vai poder decidir construir um oleoduto, uma mina de carvão ou mesmo uma central nuclear. Vão fazê-lo!”, alerta Beppe Grillo, o líder do Movimento Cinco Estrelas, num ataque contra a reforma que considera anti-democrática porque diminui os direitos do povo.

Após ter ligado o seu mandato ao resultado do referendo, Matteo Renzi tenta agora distanciar-se:
“Agora o debate é: Quer mudar a constituição? Sim ou Não? E se o povo disser que quer manter este sistema bicamaral perfeito, o Conselho Nacional para a Economia e para o Trabalho e o maior e mais caro parlamento do mundo, nós respeitamos o povo com tranquilidade. Mas isto não é um referendo sobre mim.”

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