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Burkina Faso: Uma oportunidade de ouro


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Burkina Faso: Uma oportunidade de ouro

Ouro, manganês, fosfatos… São diversas as riquezas naturais do Burkina Faso. Daí que o setor mineiro se esteja a tornar num dos pilares económicos deste país. Transformar esta atividade num dos motores de desenvolvimento social é o desafio que o governo assumiu, através de um vasto plano estratégico.

A cerca de uma centena de metros debaixo de terra encontramos as galerias da mina de ouro de Bagassi, no Burkina Faso. Ao todo, há oito minas idênticas neste país. Esta é explorada pelo grupo canadiano Roxgold, que pretende extrair 3 toneladas de ouro por ano, ao longo de uma década.

Num curto espaço de tempo, o ouro tornou-se na mais importante exportação do Burkina Faso, assumindo um papel estratégico. O primeiro-ministro Paul Kaba Thieba afirma que se trata “de um setor que tem de ser competitivo, as condições têm de ser atrativas. Todo o quadro de infraestruturas de apoio – desde a eletricidade, até à rede de água e às estradas -, todo o clima de negócios deve ser favorável. É nesse sentido que o meu governo está a trabalhar”.

Formar e mudar as perspetivas da população

Há outras riquezas naturais, como o manganês ou os fosfatos, que suscitam o interesse dos investidores. E a possibilidade de gerar mais emprego. Algumas estimativas apontam para a criação de quase 20 mil novos postos de trabalho nos próximos anos. Mas é preciso que a oferta de formação acompanhe o ritmo.

Moumouni Séré fez estudos nos Estados Unidos e abriu um instituto com cursos técnicos na área da engenharia em Ouagadougou, a capital. “Os lugares mais qualificados costumam ser preenchidos por estrangeiros, porque não há competências a nível local. É preciso formar as pessoas e atribuir as competências adequadas, para que possam aceder a todos os empregos do setor mineiro”, declara o responsável do UI2M.

O governo sublinha que a estratégia passa por transformar este setor num dos motores de desenvolvimento social do país. “Tendo em conta o potencial económico das minas, pretendemos fazer com que também a população seja beneficiada pelos avanços neste setor. É por isso que estamos determinados em lutar pelos interesses daqueles que trabalham no setor mineiro e no interesse das populações locais”, salienta Rosine Sori-Coulibaly, ministra da Economia e Finanças.

Nas aldeias em torno da mina de Bagassi, alguns dos jovens trabalham agora como seguranças ou motoristas. Face ao aumento da procura de produtos alimentares, a senhora Makoura começou a vender refeições para fora. “Antes vendia no mercado da aldeia, mas não rendia tanto…”, diz-nos.

O horizonte da prosperidade desejada pelo Burkina Faso traduz-se em números concretos no Plano de Desenvolvimento que o governo criou: o objetivo é alcançar 8% de crescimento até 2020.