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Conter o populismo depende de "política europeia de imigração"

No rescaldo das votações na Áustria e em Itália, Mario Telò, professor de Integração Regional na Universidade Livre de Bruxelas, disse à euronews que a imigração é um dos principais motivos de preocup

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Conter o populismo depende de "política europeia de imigração"

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No rescaldo das votações na Áustria e em Itália, Mario Telò, professor de Integração Regional na Universidade Livre de Bruxelas, disse à euronews que a imigração é um dos principais motivos de preocupação para os cidadãos de ambos os países.

“Um dos pontos em comum é o fluxo de refugiados e migrantes que, devido à quantidade de pessoas envolvidas e às condições em que se encontram, implica muitas mudanças na forma como as nossas sociedades e democracias funcionam, sobretudo porque não é regulado por uma política europeia coerente”, explicou.

“A grande diferença é que a Áustria, tal como a Alemanha e a Holanda, têm relativamente bons resultados económicos, mesmo ao nível do emprego. São muito melhores do que a média da União Europeia. O euroceticismo que deu 46% dos votos a um partido de extrema-direita não se justifica apenas com o desemprego, de maneira nenhuma. Deve-se, principalmente, aos receios ligados à imigração, que algumas vezes têm uma base real e que noutras são impressões subjetivas”, acrescentou.

Questionado pela correspondente da euronews, Elena Cavallone, sobre se o populismo é ainda uma ameaça para Europa, o professor disse que “pode-se contrariar o crescimento da direita populista – que, infelizmente, foi confirmado pelos resultados das mais recentes eleições – e perspetivar uma evolução diferente nas eleições na Alemanha, na Holanda e na França, no próximo ano”.

“Só será possível conter o populismo se existir uma política europeia de imigração, coordenada e coerente, que seja capaz de regular a imigração, para que esta ocorra de forma organizada e com critérios de seleção. A imigração é uma necessidade económica e demográfica, que pode enriquecer o nosso mercado de trabalho e contribuir para uma sociedade multicultural”, concluiu.