Última hora

Última hora

Reino Unido aplica multa recorde a empresas que lesaram Serviço de Saúde

Inflação de preços num medicamento para combater a epilepsia levou a comparticipação estatal a agravar-se em 48 milhões de libras, mas a autoridade da concorrência não perdoa Pfizer e Flynn Pharma.

Em leitura:

Reino Unido aplica multa recorde a empresas que lesaram Serviço de Saúde

Tamanho do texto Aa Aa

A autoridade para a Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA, na sigla inglesa) multou a farmacêutica Pfizer em 84,2 milhões de libras — cerca de 99 milhões de euros — pelo papel exercido na inflação em mais de 2600 por cento do preço de um medicamento para combater a epilepsia. Essa alteração do preço terá custado 48 milhões de libras (57 milhões de euros, ao câmbio atual) ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) britânico.

(CMA multa farmacêuticas Pfizer e Flynn quase em 90 milhões de libras por inflação de preços ao SNS.)

O caso surgiu há quatro anos, quando a Pfizer vendeu os direitos do medicamento Epanutin, umas cápsulas de sódio de fenitoína, a uma empresa britânica, a Flynn Pharma.

Após o negócio, concluído em setembro de 2012, o medicamento mudou de nome e o preço deixou de estar sujeito a controlo, o que levou os novos proprietários a alterar o preço da caixa de 100 gramas das 2,82 libras (3,3 euros) para as 67,5 libras (79 euros).

(As empresas aumentaram os preços para o SNS de um dia para o outro mais de 2600 por cento.)

O Serviço nacional de Saúde do Reino Unido sofreu um grave aumento na comparticipação do medicamento, dos cerca de 2 milhões de libras (2,3 milhões de euros) em 2011 para cerca dos 50 milhões de libras (59,2 milhões de euros) em 2013.

(O aumento do preço dos medicamentos custou ao SNS dezenas de milhares de libras em comparticipações a milhares de pacientes.)

Em 2014, a Flynn Pharma ainda baixou o preço da caixa para as 54 libras, mas o regulador não fechou o caso e agora decidiu-se pela maior multa de sempre no setor farmacêutico britânico, sancionado também a empresa britânica em 5,2 milhões de libras (6,1 milhões de euros).

(Esta multa recorde envia uma mensagem ao setor farmacêutico de que a CMA está determinada a proteger o SNS e os contribuintes de serem explorados.)