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António Guterres presta juramento: "É tempo da ONU admitir defeitos e evoluir"

O antigo primeiro-ministro jurou respeitar e implementar os valores inerentes à Carta das Nações Unidas, propondo-se trabalhar na modernização do organismo e na resolução de conflitos internacionais.

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António Guterres presta juramento: "É tempo da ONU admitir defeitos e evoluir"

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António Guterres cumpriu esta segunda-feira o juramento da Carta das Nações Unidas como Secretário-geral da ONU. O ex-primeiro-ministro português e até há pouco Alto-comissário da ONU para os Refugiados vai suceder, aos 67 anos, ao sul-coreano Ban Ki-Moon e ser o 9.° líder da Organização de 193 Nações Unidas mais dois membros observadores, a Santa Sé/Vaticano e o Estado da Palestina.

Ao lado do Secretário-geral da ONU designado estiveram o primeiro-ministro português, António Costa, e o Presidente de Portugal, o aniversariante Marcelo Rebelo de Sousa, que celebra esta segunda-feira 68 anos.

O Chefe de Estado será, aliás, o anfitrião de um evento para 800 pessoas a realizar na Sala dos Delegados, na sede da ONU, a partir das 18 horas locais (23 horas em Lisboa), no qual estão agendadas intervenções do próprio Presidente Marcelo, de Ban Ki-Moon e de António Guterres.

O próximo Secretário-geral da ONU tem pela frente diversos desafios de grande envergadura.

A prioridade assumida, para já, é encontrar uma solução pacífica para o conflito na Síria, mas também terá de defender a implementação do Acordo de Paris, o tratado para combater as alterações climáticas assinado em dezembro do ano passado por 194 países e cuja implementação, para já, parece ameaçada pela tomada de posse a 20 de janeiro de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos.

No primeiro discurso após jurar respeitar e implementar os valores inerente à Carta das Nações Unidas, António Guterres apelou à união, ao respeito pelos direitos humanos, à igualdade de géneros e à modernização da ONU.

“É altura dos líderes ouvirem e mostrarem que tomam conta do próprio povo e da estabilidade e solidariedade globais, das quais todos dependemos. E é tempo das Nações Unidas fazerem o mesmo: de reconhecerem os próprios defeitos e de se reformarem para que funcionem”, disse o português, acrescentando: “A ONU é a pedra angular do pluralismo e tem contribuído para décadas de relativa paz, mas agora os desafios estão a superar a nossa capacidade de resposta. A ONU tem de estar pronta para evoluir”, avisou.

“Estou preparado para me envolver pessoalmente na resolução de conflitos onde isso trouxer um valor acrescentado, reconhecendo o papel de liderança dos Estados-membros”, declarou António Guterres, sublinhando que “a prevenção” é a base das Nações Unidas e “a melhor forma de salvar vidas e de reduzir o sofrimento humano”. “Onde a prevenção falha, devemos fazer mais para resolver conflitos”, considerou.

Na resposta a “crises graves”, como as da Síria, Iémen e Sudão do Sul, ou a “disputas longas”, como o conflito israelo-palestiniano, são necessárias “mediação, arbitragem e diplomacia criativa”, alertou Guterres, num primeiro discurso em que falou inglês, francês e espanhol.

Antes de Guterres, falou pela última vez à assembleia da ONU o Secretário-geral cessante. Ban Ki-Moon, de 72 anos, garantiu que “tudo está a ser feito para que as futuras gerações possam viver em paz”, confiou no bom trabalho do sucessor português e despediu-se da sala em vários idiomas, desejando “paz, prosperidade e sucesso” a todos os mebros da ONU.

Peter Thomson, o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, destacou como os três principais legados de Ban Ki-moon o seu contributo “incansável para chamar a atenção para as consequências catastróficas do aquecimento global”, o seu papel na definição da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e a sua luta a favor da igualdade de género e defesa dos direitos das mulheres, tendo sido “o primeiro secretário-geral da história a declarar-se como feminista”.

António Guterres começa a trabalhar de forma oficial como Secretário-geral da ONU a 1 de janeiro de 2017.