Última hora

Última hora

Perceba a ameaça das notícias falsas e como identificá-las

Desde alegações de que uma pizzaria de Washington fazia parte de uma rede de abuso sexual de crianças liderada por Hillary Clinton até acusações de que Donald Trump chamou os republicanos de os eleito

Em leitura:

Perceba a ameaça das notícias falsas e como identificá-las

Tamanho do texto Aa Aa

Desde alegações de que uma pizzaria de Washington fazia parte de uma rede de abuso sexual de crianças liderada por Hillary Clinton até acusações de que Donald Trump chamou os republicanos de os eleitores mais burros, notícias falsas estiveram em destaque durante as eleições norte-americanas.

Os peritos dizem agora que o fenómeno é um grande problema na Europa, em especial em vésperas das eleições presidenciais francesas e as legislativas da Alemanha

A reação surge depois de o site italiano de autenticação de veracidade Pagella Política ter dito que a maioria das histórias publicadas nas redes sociais sobre o referendo à constituição são falsas.

Cinco pistas para detetar notícias falsas


  • Leia a página ‘sobre’ (‘about’ em inglês): Muitos dos sites de notícias falsas explicam quem são e o que fazer, seja por fantasia ou paródia.
  • Veja se a morada (URL) é de uma marca reconhecida e se não é estranha como por exemplo publico.com.co?
  • Verifique o domínio – Recorra ao sítio who.is para confirmar a data e quem criou a página. Geralmente, os sites falsos são muito recentes, o que dá uma pista importante sobre a sua credibilidade.
  • Faça uma pesquisa sobre a página e o artigo – se for um sítio da internet com boa reputação, muitos outros artigos deverão apresentados. Questione-se sempre porque existem outros sites credíveis a falar do assunto.
  • Pesquisa reversa de imagens – Por vezes as notícias falsas apresentam também fotografias falsas, totalmente fora de contexto. Pesquise as fotos duvidosas em aplicações como o ‘Google reverse image search’ ou ‘Tineye’

Até que ponto as notícias falsas são um problema?

A candidata à presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton afirmou que a epidemia das notícias falsa e propaganda que inundou as redes sociais durante o ano foram um perigo que podia colocar as pessoas em perigo.

Entretanto uma análise do Buzzfeed News concluiu que as notícias falsas sobre as eleições no Facebook geraram mais interação no Facebook do que as notícias verdadeiras de grandes jornais de referência como o “The New York Times”.

Outra preocupação tem a ver com a quantidade e o impacto.

O líder do Facebook, Mark Zuckerberg. Afirma que 99 por cento do conteúdo da sua plataforma e genuíno e se existem notícias falsas, elas não estão circunscritas a uma visão parcial.

Mas Jenni Sargent, diretora executiva do First Draft News, que oferece orientação na verificação dos conteúdo da internet, afirmou à Euronews que um dos truques daqueles que criam conteúdos falsos é confirmar a tendência parcial da audiência a que se dirigem.

Por isso, incitar os apoiantes de Trump a partilhar uma publicação contra Clinton não deverá mudar a forma como as pessoas votam.

Mas enquanto há algumas discordâncias sobre o impacto das notícias falsas, há um consenso um pouco generalizado de que é uma área difícil de se aceder.

Pablo Suárez, professor de matemática da Universidade do México, afirmou: “Não é muito clara qual foi a extensão de exposição das pessoas às notícias falsas durante as eleições norte-ameiricana e isso é uma área ativa de pesquisa.”

De onde vêm as notícias falsas?

Um outro problema ligado a perceber o impacto das notícias falsas é diferenciar o que está sobre a sua influência.

Existem artigos destinados a fazer dinheiro, a atingir audiências específicas da internet enquanto outros se destinam a influenciar opiniões.

Em termos de operações para ganhar dinheiro, o canal britânico Channel 4 News anunciou algumas notícias falsas surgem de uma estranha vila da Antiga República jugoslava da Macedónia chamada Veles, onde cerca de 200 pessoas estão envolvidas em produzir notícias falsas que pode dar a ganhar até 200 mil euros aos seus colaboradores.

Outras notícias qualificadas de falsas, surgem de sítios financiados pelo Kremlin, segundo diz um relatório do Parlamento Europeu)578008_EN.pdf, com o objetivo de lançar teorias da conspiração antiocidentais.

Dá como exemplo, as alegações de que as autoridades alemãs tentaram encobrir a alegada violação da menina russa ‘Lisa’ por migrantes em Berlim.

O Presidente russo, Vladimir Putin, respondeu às críticas”:https://www.rt.com/news/367922-eu-resolution-russian-media/, dizendo esperar que as ações de contrapropaganda não conduzissem a sérias restrições, antes de louvar os jornalistas do Russia Today e do Sputnik.

Qual o impacto que podem ter na Europa?

“As notícias falsas vão ser um grande problema nas eleições francesas e nas eleições alemãs”, disse Sargent. “Nós somos muito cautelosos na monitorização de potenciais estratégias usadas para interromper, distrair e confundir”.

“Em termos de impacto, eu não iria tão longe de que teria uma impacto num resultado final, mas podem, certamente, inflamar atos de agressão e desse género”.

“Existem consequências muito reais, particularmente para seções da sociedade que têm histórias com pouco informação ou incorretas.”

Alguns assuntos controversos já foram vítimas de notícias falsas em França, incluindo alegações de que alguns reféns do massacre do Bataclan foram torturados.

Entretanto, em novembro, o líder da agência doméstica de informação alemã BfV afirmou à agência Reuters que as autoridades estavam preocupadas por causa da possibilidade da Rússia tentar interferir nas eleições alemãs com recurso a este tipo de notícias falsas.

A chanceler Angela Merkel também alertou para o facto dos “robôs sociais” (programas destinados a influenciar redes sociais com notícias falsas) poderem manipular a votação.

Merkel enfrenta um desafio crescente do populista anti-imigração do partido AfD, que disse querer que a UE deveria abandonar as sanções contra a Rússia e que Berlim devia ser mais equilibrado em relação a Moscovo.

Como funcionam as notícias falsas?

Sargent diz que aqueles que querem difundir notícias falsas têm baixos custos de entrada – é o caso do registo de nomes de domínio e, de seguida, as ferramentas gratuitas de blogs como o ‘Wordpress’ para colocar os artigos on-line.

“Há maneiras de se fazer isto, o que significa que se todas as notícias no seu site (blog) de notícias falsas não forem verdadeiras, instantaneamente, os leitores ficarão desconfiados”, acrescentou. “Portanto, a habilidade aqui seria copiar e colar notícias de boa reputação, relatadas noutro lugar, e colocar a notícia falsa entre elas, aumentando a confusão sobre o que é legítimo”, por exemplo.