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Hebrom, denominada Al-Khalil em árabe, é uma das mais importantes cidades do Médio Oriente. Situa-se na Cisjordânia, cerca de 30 quilómetros a sul de Jerusalém. Embora seja território palestiniano, estão mobilizados em Hebrom cerca de mil soldados israelitas para proteger os 850 residentes dos colonatos judeus ali existentes.

A Cidade Velha de Hebrom é o centro nevrálgico de uma guerra fria pelo controlo dos acessos ao Túmulo dos Patriarcas, um local sagrado para muçulmanos e judeus onde se crê estarem sepultados Abraão, Isaque e Jacó — pai, filho e neto.

A presença militar hebraica intensifica-se nas centenas de postos de controlo que atrapalham a vida quotidiana dos cerca de 18.000 palestinianas que ali residem e fazem o seu dia-a-dia, entre eles os alunos de uma escola próxima do Santuário dos Patriarcas, como também ‘e conhecido o local.

Israel controla a Cidade Velha, bloqueou ruas inteiras com recurso a enormes blocos de cimento e impôs o encerramento a milhares de estabelecimentos comerciais muçulmanos que por ali existiam. O objetivo terá sido o de garantir a segurança do enclave hebraico que se estende até ao túmulo do primeiro israelita, Jacó.

O desemprego nesta região toca 70 por cento da população. Em visita a Hebrom, no final de novembro, o coordenador especial da ONU para o processo de paz no Médio Oriente, Nickolay Mladenov, apelou à melhoria das condições de vida dos residentes e da economia de uma cidade onde 30 por cento dos residentes são considerados pobres por comparação com 18 por cento na restante Cisjordânia. Esta melhoria poderia ajudar a evitar uma nova espiral de violência.

Um apelo reforçado no início de dezembro pelo secretário de Estado norte-americano. John Kerry acusou o governo de israelita de estar a seguir “na direção errada” ao manter a política de colonização nos reconhecidos territórios da Palestina.

Esta colonização, no que toca a Hebrom/ Al-Khalil baseia-se em motivos históricos e religiosos. Foi a primeira capital do reino de David e, claro, alberga o Túmulo dos Patriarcas, dos quais Abraão acaba por estar na origem das duas religiões aqui em conflito: muçulmanos e judeus.

O Santuário integra uma mesquita e uma sinagoga. No centro, está o túmulo de Abraão, o símbolo supremo da união e da divisão.

A paz dentro das paredes do Túmulo dos Patriarcas contrasta com o atrito entre israelitas e muçulmanos no exterior, num conflito que também já manchou de sangue este local sagrado.

Foi em 1994: um extremista judeu matou aqui a tiro 29 palestinianos e feriu mais de 120 em pleno momento de oração do Ramadão. O assassino, Baruch Goldstein, acabaria espancado até à morte pelos sobreviventes.