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Desporto em 2016: Das conquistas sobre rodas à tragédia do Chapecoense


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Desporto em 2016: Das conquistas sobre rodas à tragédia do Chapecoense

O ano de 2016 fica marcado no desporto por alguns feitos inéditos e por uma tragédia em Portugal. Inerente às normais vitórias e conquistas, há sempre derrotados, mas o desfecho do conto de fadas do clube de futebol brasileiro Chapecoense relativizou tudo. Aqui, o mundo todo perdeu.

Fórmula 1: Nico Rosberg, 31 anos (Alemanha)

Começamos a volta ao mundo do desporto de 2016 prego a fundo com a vitória de Nico Rosberg no Campeonato do Mundo de Fórmula 1.

Ao volante de um Mercedes, o alemão seguiu os passos do pai, o finlandês Keke Rosberg, vencedor do título mundial em 1982.

Embora o pai tivesse continuado ao volante de monovolumes por mais quatro anos após o título, Nico não seguiu esse mesmo exemplo e deixou o mundo do automobilismo em estado de choque.

Poucos dias após a conquista, Nico Rosberg anunciou a reforma antecipada da Fórmula 1 com apenas 31 anos.

Ténis: Andy Murray, 29 anos (Reino Unido)

O ano não começou nada bem para Andy Murray: nas duas primeiras finais de Grand Slam da temporada, duas derrotas diante do sérvio Novak Djokovic.

Após a derrota em Roland Garros, o escocês ressurgiu, no entanto, quase imparável, venceu 52 das 55 partidas realizadas desde então, num total de 87 e apenas nove derrotas.

A série valeu ao britânico (escocês quando perde, brincam os ingleses) dois títulos de Grand Slam, a medalha de ouro Olímpica, o Masters de Londres, que encerra a temporada, e a liderança do ranking mundial do ATP.

Ciclismo: Chris Froome, 31 anos (Reino Unido)

Nas duas rodas a pedal, Chris Froome mostrou uma vez mais que não tem rivais à altura no pelotão internacional.

A Volta a França foi mais um passeio para o britânico. O ciclista da Team Sky ganhou o “Tour” com mais de quatro minutos de vantagem sobre o segundo, francês Romain Bardet, e o terceiro, o colombiano Nairo Quintana.

Apesar do triunfo, nem por isso Froome entrou de férias e, três semanas depois, o britânico conquistou a medalha de bronze no contrarrelógio individual no Rio de Janeiro.

Pouco dias depois, a 20 de agosto, Froome estava na linha de partida para a 71.a Volta a Espanha e foi segundo, a 1,23 minutos de Quintana, o vencedor da “Vuelta” 2016.

Motociclismo: Marc Marquez, 23 anos (Espanha)

2016 foi um ano louco na MotoGP. Nove pilotos diferentes subiram ao lugar mais alto do pódio. Apesar de tudo, um nome destacou-se dos demais: Marc Marquez.

O catalão, de 23 anos, esteve quase sempre um nível acima da concorrência e cedo se percebeu que o seu terceiro título mundial na categoria rainha do motociclismo era uma questão de tempo.

Aconteceu em meados de outubro, no Japão, ainda com outras três corridas pela frente. No circuito de Motegi, Marquez conquistou a quinta vitória da temporada e assegurou o terceiro título em quatro mundiais disputados na principal categoria das duas rodas motorizadas.

Golfe: Estados Unidos

Nos “greens”, este ano ficou marcado pelo regresso dos Estados Unidos às vitórias na Ryder Cup, o torneio de golfe bienal que coloca frente a frente uma seleção norte-americana e outra europeia.

A equipa capitaneada por Davis Love III não levantava o troféu desde 2008 e teve uma prestação irrepreensível frente à seleção da Europa.

A jogar em casa, no clube de golfe de Hazeltine, no Minnesota, os norte-americanos lideraram o marcador desde o primeiro dia e arrasaram a equipa do Velho Continente com um triunfo categórico por 17-11.

A tragédia da Chapecoense

O dia de 10 de julho terá sido o ponto alto do calendário futebolístico mundial: neste dia Portugal sagrou-se pela primeira vez Campeão da Europa de futebol. Quase cinco meses depois, essa conquista acabou relativizada. Tal como todas as vitórias desportivas.

A 28 de novembro todo o desporto foi derrotado, num dia negro para o futebol mundial e não só. O conto de fadas da Chapecoense, que se preparava para jogar a primeira final continental da sua história, terminou da pior forma.

O avião em que viajava a comitiva brasileira rumo à primeira mão da final da Taça Sul-Americana despenhou-se na aproximação a Medellín, na Colômbia, onde iriam defrontar o Atlético Nacional.

A bordo seguiam 77 pessoas, entre jogadores, equipa técnica, diretores, convidados e jornalistas. Apenas seis sobreviveram.

Após sugestão da equipa adversária, a CONMEBOL acabou por atribuir o título à equipa brasileira, mas nada jamais poderá apagar esta tragédia.

O fim de maldições no desporto dos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, onde algumas modalidades desportivas se revelam autênticos espetáculos inigualáveis no resto do mundo, 2016 fica marcado como o ano em que se quebraram duas das maiores maldições do desporto norte-americano.

A cidade de Cleveland festejou o primeiro troféu desde 1964, ano que os Browns se sagraram campeões na Liga Nacional de futebol americano (NFL), cuja final dois anos depois passaria a designar-se “Super Bowl.”

O fim da maldição deve-se aos Cavaliers, os novos donos do título da Liga Profissional de Basquetebol, a NBA, após vitória (4-3) na final diante dos anteriores campeões, os Golden State Warriors, de Oakland.

LeBron James teve um papel decisivo em campo, terminou a época com uma média de 25,3 pontos nos 76 jogos efetuados. O número 23 dos Cavaliers viria a ser protagonista num outro acontecimento histórico do desporto dos Estados Unidos.

Na apelidada série mundial de basebol, também os Cleveland Indians chegaram à final, onde defrontara, os Chicago Cubs. Rivais no campo, mas amigos fora da quadra, LeBron James apostou com Dwayne Wade: o adepto da equipa derrotada no basebol teria de ir para o primeiro jogo entre ambos na cidade dos vencedores vestido com o equipamento do rival.

Coube à estrela dos Cavaliers “pagar” a aposta e fê-lo com desportivismo (vídeo em baixo). Foi a primeira vitória dos Chicago Cubs desde 1908.

Obituário do desporto

As lendas são eternas, mas o ser humano (ainda) não. Este ano, o mundo do desporto viu partir algumas das estrelas que fizeram sonhar milhões de adeptos nos quatro cantos do planeta.

Destacamos três: o futebolista holandês Johan Cruijff, o golfista norte-americano Arnold Palmer e o pugilista Muhammad Ali.

Estrela do Ajax de Amesterdão, da seleção holandesa e para sempre ligado ao Barcelona, foi Bola de Ouro em 1971, 1973 e 1974, faz parte da equipa mundial do século XX e da seleção FIFA de todos os tempos.

Destacou-se também como treinador e foi um dos mais revolucionários treinadores de cariz ofensivo da história do desporto-rei.

Johan Cruijff, morreu a 24 de março vítima de cancro do pulmão. Tinha 68 anos.

Arnold Palmer ficou conhecido no golfe como “o rei”. Tornou-se profissional em 1954, esteve meio século no ativo ao mais alto nível e reformou-se em 2006.

O golfista norte-americano colecionou 95 vitórias como profissional, incluindo 65 no circuito PGA e 2 no circuito europeu.

Arnold Palmer morreu a 25 de setembro, em Pittsburgo, a caminho de uma intervenção cirúrgica ao coração. Tinha 87 anos.

Nasceu Cassius Clay Jr., converteu-se ao islamismo e tornou-se uma lenda como Muhamad Ali. Desportista do século XX para a revista Sports Illustrated, o pugilista norte-americano foi também um importante ativista na luta contra o racismo e pela igualdade de direitos.

Participou em 61 combates e apenas perdeu 5. Em 37 ocasiões, venceu os rivais por “KO” e apenas uma vez foi ele a ficar “knock out”.

Foi medalha de ouro olímpico em meio-pesados (-81kg) em Roma (1960) ainda como pugilista amador e sob o nome Cassius Clay. Chegou a campeão mundial de boxe de pesos pesados em meados dos anos 60.

Viria a perder a licença para combater e os títulos em 1967, depois de se recusar a combater pelos Estados unidos no Vietname. Tornou-se ativista contra a guerra e pela igualdade de direitos entre negros e brancos.

Voltaria aos ringues em 1971 para sofrer a primeira derrota da sua carreira profissional diante de Joe Frazier. Ali viria a recuperar a coroa de rei do boxe em 1974 e cinco anos depois reformou-se.

Vítima de Parkinson, Muhamad Ali passou boa parte dos últimos a entrar e a sair de hospitais. A 2 de junho deste ano, entrou com problemas respiratórios para não mais sair. Morreu no dia seguinte, com 74 anos, vítima de choque sético.

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