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Donald Trump: A grande surpresa de 2016


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Donald Trump: A grande surpresa de 2016

O republicano Donald Trump surpreendeu o mundo ao ganhar a eleição presidencial nos Estados Unidos. Pondo fim às esperanças da candidata democrata Hillary Clinton, dada como favorita, Trump saboreou a vitória na noite de 8 de novembro.

“Acabei de receber um telefonema da secretária Clinton. Ela felicitou-nos, porque é a nossa vitória. Agora, é tempo de a América sarar as feridas da divisão. Temos que nos unir”, afirmou perante os seus apoiantes

Um discurso que muda de tom relativamente à campanha eleitoral, durante a qual Trump quebrou todos os códigos de debate e combate político. Os ataques contra Hillary Clinton foram feitos num nível bastante baixo : tratou-a, por exemplo, de “mulher desagradável” e garantiu-lhe que seria perseguida pela justiça se ele fosse eleito:

“É muito bom que alguém com o temperamento de Donald Trump não tenha a justiça do nosso país nas mãos”, afirmou Clinton durante um debate.

A resposta de Trump não se fez esperar:
“Porque você estaria na prisão!”

Chocante também foi a forma como Trump acusou os media e a candidata democrata de conspiração para manipular a eleição e a forma como pôs em causa a sua legitimidade para se candidatar após a divulgação do caso dos emails pessoais no tempo em que era secretária de Estado.

Num comício o candidato republicano declarou: “Em vez de estar a responder judicialmente, Hillary está a concorrer para presidente, o que faz parecer a muita gente que isto é uma eleição fraudulenta. A eleição está a ser manipulada por medias corruptos, que lançam falsas acusações e mentiras descaradas na tentativa de elegerem Hillary Clinton”.

Interferência russa na campanha?

Inédito na campanha foi também o momento em que Hillary Clinton acusou a Rússia de piratagem dos emails do Comité Nacional Democrata (DNC). “Estou muito preocupada com o que me foi dito de fontes credíveis, sobre a interferência do governo russo na nossa eleição … nunca tivémos um poder estrangeiro como adversário, envolvido no nosso processo eleitoral, como a piratagem do DNC. Nunca tivémos um candidato de um dos nossos maiores partidos a pedir aos russos para espiarem mais”.

Uma acusação rídicula, segundo Vladimir Putin, que denunciou uma manobra para distrair o eleitorado americano dos verdadeiros problemas do país como a violência policial e a dívida pública.
“Há alguém que pense realmente e seriamente que a Rússia é capaz de influenciar de alguma forma a escolha do povo americano? A América não é uma república de bananas. Ou é? Se estiver a dizer algo errado, por favor, corrijam-me”, respondeu.

Um mês depois da campanha, o presidente Barack Obama viu crescer a pressão por parte de vários congressistas e dirigentes democratas no sentido de autorizar o acesso aos documentos classificados sobre a eventual interferência da Rússia na campanha eleitoral dos Estados Unidos.

O balde de água fria dos democratas

E quando caiu o veredito da urnas, na noite de 8 para 9 de novembro, foi o balde de água fria. Inconsoláveis, os eleitores de Clinton sentem-se perdidos, após longos meses de uma batalha feroz. No entanto, a candidata derrotada faz dignadamente a saída de cena: “Constatámos que o nosso país está mais profundamente dividido do que pensámos mas continuo a acreditar na América e se vocês também acreditam, têm que aceitar este resultado e olhar para o futuro. Donald Trump vai ser o nosso presidente. Devemos ter abertura de espírito e dar-lhe a oportunidade de governar”.

Com este voto, a América encetou uma viragem radical. Obama está agora mais próximo de assistir ao cenário que recusava imaginar: como será o país governado por Donald Trump?

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