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Síria: Oposição ameaça anular cessar-fogo se regime de Assad mantiver violações

Ao segundo dia de cessar-fogo, alcançado através da mediação russa e turca, os bombardeamentos e os ataques prosseguem e estão a ameaçar a resistência das tréguas.

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Síria: Oposição ameaça anular cessar-fogo se regime de Assad mantiver violações

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O cessar-fogo na Síria ainda resiste, mas está preso por um fio. As forças rebeldes de oposição a Bashar al-Assad ameaçaram já este sábado declarar nulas as tréguas negociadas com o regime, através da Rússia e da Turquia, se as forças leais ao Presidente continuarem a violar o frágil cessar-fogo implementado sexta-feira.

Apesar de garantir pelas 10h30 locais (08h30, em Lisboa) a manutenção das tréguas (twit em baixo), o Observatório Sírio para os Direitos Humanos tem vindo a reforçar as queixas dos rebeldes ao reportar ao longo da manhã deste sábado a ocorrência de várias violações, incluindo pelo menos 10 bombardeamentos só na região de Wadi Barada, 40 quilómetros a noroeste de Damasco.

Em Alepo, cidade reclamada a 100 por cento na última semana pelas forças do regime, um homem conta-nos que as condições de vida são escassas devido a um ataque do grupo terrorista Estado Islâmico (“Daesh”/ ISIL) na sexta-feira contra duas infraestruturas de abastecimento de água da cidade.

“O grupo terrorista Estado Islâmico cortou a água potável na cidade. Eles queriam privar-nos de viver. Aqui já ninguém tem nada e é tudo por causa do ‘Daesh’”, acusa, em declarações difundidas pela Reuters, este sírio não identificado e residente em Alepo, onde se mantém após a reconquista da cidade pelo regime de Assad.

Cerca de 60 quilómetros a sudoeste, em Idlib, foi para onde fugiram, nas últimas semanas, milhares de residentes de Alepo por causa da guerra. Muitos deles revoltados com o regime do Presidente Assad.

Hassan Izzo é um dos refugiados em Idlib oriundo de Alepo. “Fugi por causa dos ataques aéreos com barris de explosivos, bombas de fragmentação, mísseis de grande calibre e paraquedas. Fomos todos atingidos e por isso tínhamos de fugir da cidade. Deixámos as nossas casas com grande sofrimento. Não confiamos no regime de Bashar al-Assad”, assume Hassan Izzo.

Cerca de 35 mil pessoas terão fugido de Alepo só na semana passada quando organizações humanitárias conseguiram pôr em marcha uma operação de evacuação da zona leste de Alepo, a última a ser retomada na cidade pelas forças do regime e uma das mais destruídas pela guerra.

De acordo com as Nações Unidas, na Síria há pelo menos 15 milhões de pessoas a necessitar de ajuda para conseguir acesso a água potável e bens essenciais.

O cessar-fogo em curso foi anunciado quinta-feira pela Rússia, após negociações que envolveram os dois lados do conflito sírio e ainda a Turquia, mediador pelo lado da oposição ao regime de Bashar al-Assad (os Estados Unidos não participaram de forma direta nesta negociação). O objetivo principal é colocar um fim a seis anos de uma guerra civil que já fez mais de 250 mil mortos, mais um milhão de feridos e provocou ainda milhões de deslocados.