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EUA: A primeira batalha pós eleitoral entre republicanos e democratas chama-se "Obamacare"

O Obamacare é o primeiro projeto a abrir as hostilidades entre democratas e republicanos, após a pausa eleitoral.

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EUA: A primeira batalha pós eleitoral entre republicanos e democratas chama-se "Obamacare"

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O Obamacare é o primeiro projeto a abrir as hostilidades entre democratas e republicanos, após a pausa eleitoral. Na quarta-feira, o presidente Obama deslocou-se ao Capitólio para fazer uma última tentativa de defender a reforma que marcou o seu primeiro mandato, a segurança-social.

Uma visita de forte simbolismo, tanto mais que o vice-presidente eleito, Mike Pence, fez o mesmo trajeto, mas para lembrar aos congressistas que Donald Trump fez a promessa de acabar com a lei: “A arquitetura da substituição do Obamacare vai chegar, como devia acontecer, num processo legislativo previsto para as próximas semanas ou meses. Mas o povo americano votou pela mudança em novembro e ela começa com a retirada e a substituição da política falhada do Obamacare”, afirmou.

Os democratas têm, com efeito, uma margem de manobra muito limitada na defesa da lei, mas tentam fazê-lo argumentando que a sua anulação pode provocar uma vaga de protestos pelo país e que a nova administração não tem um verdadeiro projeto nesta matéria.

Bernie Sanders sai em defesa do diploma: “Eles não têm ideias. O objetivo é deitar abaixo e ganhar tempo e, um dia vão aparecer com um novo projeto. Não se destrói uma casa enquanto não se tiver outra para as pessoas viverem”.

Antes da entrada em vigor da lei, havia 47 milhões de pessoas sem segurança social nos Estados Unidos, numa população de 320 milhões. Desde 2010 cerca de 20 milhões têm cobertura médica e social.

Assinado em março de 2010, depois de uma longa batalha legislativa, que custou caro aos democratas, o Affordable Care Act, foi já alvo de cerca de 50 tentativas dos republicanos para o revogar total ou parcialmente. Foi mesmo apresentado um recurso ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos para invalidar a lei, considerada pelos conservadores como uma intrusão do Estado no mercado dos seguros de saúde. Donald Trump nunca escondeu o que pensa do Obamacare:
“Nos cuidados de saúde vamos livrar-nos do Obamacare, revogá-lo e substituí-lo. Está a provocar o aumento para o dobro dos prémios de seguro. Vamos dar a possibilidade aos pacientes e consumidores de escolherem, em todo o país”, afirmou durante a campanha.

Mas, no dia a seguir ao encontro com Obama na Casa Branca, na sequência da sua eleição, Trump tinha já moderado o tom, admitindo que o deploma, que tanta tinta tem feito correr, possa ser simplesmente emendado.