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Europa continua em sobressalto dois anos após o massacre do Charlie Hebdo

Homenagens curtas e sóbrias ocorreram esta manhã em Paris, em memória das vítimas dos atentados de 2015 contra o semanário Charlie Hebdo e o supermercado Hyper Cacher, que mataram 17…

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Europa continua em sobressalto dois anos após o massacre do Charlie Hebdo

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Homenagens curtas e sóbrias ocorreram esta manhã em Paris, em memória das vítimas dos atentados de 2015 contra o semanário Charlie Hebdo e o supermercado Hyper Cacher, que mataram 17 pessoas.

O dia 7 de janeiro ficará, sem dúvida, na história contemporânea da Europa e do mundo. Foi o dia em que dois terroristas entraram na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, e massacraram a maioria dos membros da redação. Um choque imenso para a França, como que atacada por um sismo, com réplicas que duraram três dias com a morte de mais uma polícia e uma tomada de reféns num supermercado judeu.

Um choque também para o mundo porque o Charlie Hebdo era, antes de mais, um símbolo de liberdade e a expressão de um modo de vida. Quatro dias depois, a 11 de janeiro, quatro milhões de franceses e 47 dirigentes políticos mundiais desfilavam nas ruas de Paris.

O terror na Europa

O terror foi de tal forma marcante que ficou na memória como o primeiro da vaga de ataques terroristas perpetrados pelo Estado Islâmico (EI) na Europa. Mas o primeiro país a conhecer a fúria do EI foi a Bélgica, em maio de 2014, com o atentado no Museu do Judaísmo, em Bruxelas, no qual perderam a vida quatro pessoas.

A partir daí, a Europa nem tempo tem tido para recuperar de um golpe que outro já se faz sentir. 11 meses após os ataques de janeiro de 2015, na noite de 13 de novembro, a França e particularmente Paris voltam a viver o pesadelo. 130 pessoas são mortas em cinco locais diferentes da capital francesa. Quatro meses mais tarde volta a Bélgica a ser atingida. Ataques quase em simultâneo que roubaram a vida a 32 pessoas. E no verão, o terror regressou a França, com a morte de 86 pessoas, atropleladas por um camião que avançou sobre a multidão, em Nice, durante as celebrações do dia nacional. Um cenário que viria a repetir-se em Berlim, a 19 de dezembro, num mercado de Natal, com a morte de 12 pessoas.

Centenas de mortes em pouco mais de dois anos, um alerta permanente e uma crescente intolerância na Europa. Essa é, talvez, a grande vitória do EI. Até o Charlie Hebdo, cuja versão alemã acaba de ser lançada, não voltou a ser o mesmo. O jornal subsiste com a subida das assinaturas e as ajudas do Estado, mas a alma foi-se no dia 7 de janeiro de 2015.

O cartoonista Luz, autor da manchete do dia a seguir ao massacre na redação, lembra como foi difícil: “…depois do desenho, escrevi por cima… “está tudo perdoado” e desatei a chorar e acabou por ser a manchete… tínhamos encontrado esta p…! de manchete”.

Desde esta manchete tão dolorosa até à que está agora nas bancas passaram dois anos sem que outras capas do jornal tenham despertado a atenção a não ser por polémicas, cada vez mais agressivas e menos tolerantes.