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"Escravas sexuais" voltam a criar tensão diplomática entre Japão e Coreia do Sul


Coreia do Sul

"Escravas sexuais" voltam a criar tensão diplomática entre Japão e Coreia do Sul

O Japão decidiu retirar de forma temporária o respetivo embaixador na Coreia do Sul.

A decisão surge em retaliação à recente instalação junto ao consulado nipónico de Busan, no sudeste sul-coreano, de uma nova estátua em memória das mulheres escravizadas há cerca de oitenta anos para servirem como “mulheres de conforto sexual” ao exército japonês durante a guerra.

A estátua foi colocada no final da semana passada por um grupo de ativistas sul-coreanos. De início, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano considerou necessário ser reavaliado a localização mais apropriada para a estátua, mas a estátua acabou por ficar junto ao consulado do Japão.

É a segunda estátua do género na Coreia do Sul depois de uma outra instalada próximo da embaixada do Japão em Seul.

O Governo liderado por Shinzo Abe manifestou de pronto o desagrado pela situação, exigiu a retirada da estátua às autoridades sul-coreanas, mas não teve sucesso. Através do Secretário-geral do gabinete, o equivalente ao ministro de Estado ou vice-primeiro-ministro português, o Japão avisou que “a instalação da estátua próximo do consulado japonês de Busan não vai ter um impacto positivo nas relações entre “ ambos os países.

“É muito lamentável e isto, estamos em crer, representa também uma violação da Convenção de Viena para as Relações Consulares”, acrescentou Yoshihide Suga.

A Coreia do Sul já reagiu à decisão do Japão de retirar o embaixador. Num primeiro momento, o Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador nipónico para lhe manifestar a preocupação pelo impacto diplomático e explicar a posição do Governo sobre a situação.

O Japão, contudo, não recuou. Como a estátua não foi retirada, Yasuma Nagamine está de regresso a casa e Tóquio decidiu suspender alguns negócios que vinha a desenvolver com Seul.

A Coreia do Sul expressou “um profundo lamento pela decisão do Japão em relação à estátua”. “O Governo quer deixar claro uma vez mais que os dois países devem continuar a avançar nos laços bilaterais com base na confiança apesar de quaisquer onstáculos surgidos”, afirmou, em comunicado citado pela agência Yonhap, Yun Byung-se, o ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano.

O desconforto gerado pelas “mulheres de conforto”

A questão das “mulheres de conforto” dificultou, durante décadas, as relações do Japão com os países que colonizou ou invadiu na era imperial.

Estima-se que até 200 mil mulheres tenham sido forçadas a prestar serviços sexuais a tropas nipónicas, a maioria delas na China e na península coreana, entre os anos 30 do século passado e o final da II Guerra Mundial, em 1945.

As autoridades da Coreia do Sul terão decidido manter a estátua em Busan depois de a ministra da Defesa japonesa, Tomomi Inada, ter visitado na semana passada o santuário Yasukuni, em Tóquio.

O santuário é um local criticado pela China e pela Coreia do Sul por homenagear, entre os mortos da II Guerra Mundial e de outros conflitos bélicos, criminosos de guerra, como o general Hideki Tojo, que autorizou o ataque contra Pearl Harbor.