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Trump2017: Tillerson afasta-se da Rússia mas recusa chamar "criminoso de guerra" a Putin


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Trump2017: Tillerson afasta-se da Rússia mas recusa chamar "criminoso de guerra" a Putin

Rex Tillerson, o eleito por Donald Trump para suceder a John Kerry como secretário de Estado norte-americano, surpreendeu durante a audiência de confirmação para o lugar ao afastar-se da Rússia quando todos os críticos esperavam que assumisse a conhecida proximidade a Vladimir Putin.

Sob escrutínio da Comissão de Negócios Estrangeiros do Senado dos Estados Unidos, composta por 21 membros (11 republicanos e 10 democratas), o escolhido do Presidente eleito para liderar a diplomacia norte-americana considerou que “as atividades recentes da Rússia colidiram com os interesses americanos.”

Rússia na Ucrânia

“A Russia, hoje em dia, representa um perigo, mas não é imprevisível quando revela os próprios interesses. Invadiu a Ucrânia, incluindo a tomada da Crimeia, e apoiou as forças sírias, que, de forma brutal, violaram as leias da guerra. Os nossos aliados na NATO estão certos ao ficar de pé atrás com o ressurgir da Rússia”, disse Rex Tillerson, defendendo que Moscovo “deve ser responsabilizada pelas suas ações.”

Questionado sobre o que deveria ter feito a Ucrânia perante a “invasão” da Rússia, Rex Tillerson defendeu que o governo deveria ter mobilizado todas as suas forças militares para a zona de fronteira e defendido o território com o apoio da NATO.

Rússia na Síria

Questionado pelo senador republicano Marco Rubio, um assumido opositor à reaproximação à Rússia, se “Vladimir Putin é um criminoso de guerra”, Tillerson respondeu: “eu não usaria esse termo.”

Rubio discorreu depois alguns dos supostos crimes que vincula ao Presidente da Rússia, como “o bombardeamentop de escolas, mercados e outras infraestruturas civis” em Alepo, no norte da Síria, e aos bombardeamentos anteriores que também teria ordenado de forma secreta sobre civis chechenos quando ainda era primeiro-ministro. E insistiu: “Há luz destes casos, está preparado para dizer que Vladimir Putin e os seus militares violaram as regras da guerra e cometeram crimes de guerra em Alepo?”

“Essas são acusações muito, muito sérias e eu gostava de ter muito mais informação antes de chegar a uma conclusão”, respondeu Tillerson, numa manobra a que recorreu em alguns dos assuntos mais sensíveis desta audiência, referindo não ter tido acesso às informações de nível classificado. Ainda assim, o candidato a secretário de Estado acabou por assumir que, a confirmarem-se estes atos de guerra, estes seriam “crimes de guerra.”

Sanções económicas à Rússia

Em relação às sanções ecónomicas impostas à Rússia, Tillerson negou a alegação de que a empresa em que estava tivesse feito lóbi contra a política de sanções e, talvez num lapso de inesperiência em questões políticas, começou por considerar que a implementação de sanções “prejudica os interesses comerciais dos Estados Unidos.”

O secretário de Estado designado voltou, no entanto, a surpreender ao defender a continuidade da política de sanções, garantiu até ser favorável à sua aplicação contra certos rivais, mas de uma forma melhor preparada e direcionada.

Este será, contudo, um tema em que também necessitará de mais informação do que aquela a que teve acesso até agora e o qual será tradado depois com Donald Trump, caso seja confirmado no cargo pelo Senado.

Nas redes sociais, a palavra “mentiroso” foi muito repetida após os argumentos de Tillerson favoráveis às sanções.

Ataques cibernéticos de Moscovo

Foi uma dos primeiros temas abordados por Rex Tillerson e onde ele começou desde logo a distanciar-se de Moscovo. O secretário de Estado designado disse ter tido acesso a um relatório público dos serrviços secretos sobre os alegados ataques informáticos cometidos pela Rússia contra os Estados Unidos e disse ser “preocupante” o que leu.

Rex Tillerson acrescentou, no entanto, não ter tido acesso a informação considerada classificada e, por isso, não poder ter também uma apreciação global da real abrangência dos supostos ataques.

China

Sobre a China, Tillerson considerou não ser “um parceiro fiável no uso de toda a sua influência para refrear a Coreia do Norte” e disse ser um rival demasiado centrado nos próprios interesses.

“A China tem mostrado uma predisposição para perseguir com determinação os seus objetivos, o que por vezes a tem colocado em conflito com os interesses norte-americanos. Temos de lidar com o que vemos, não com o que esperamos”, disse, admitindo no entanto que há áreas em que poderá existir entre ambas as poténcias uma “parceria produtiva”, mas sem concretizar.

Cuba

A reaproximação dos Estados Unidos a Cuba foi abordada e aqui Rex Tillerson manifestou-se crítico da forma como o processo foi conduzido pela Administração de Barack Obama.

Na opinião do secretário de Estado designado por Trump, a reaproximação só devia ter avançado após “concessões significativas” de Havana em matéria de direitos humanos.

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