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Corrupção: Relatório da Transparency International denuncia "complacência da UE"


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Corrupção: Relatório da Transparency International denuncia "complacência da UE"

Os portugueses mostram-se ligeiramente mais preocupados com a corrupção no país do que no ano passado. Segundo o Índice de Perceção da Corrupção, publicado todos os anos pela organização Transparency International (TP), Portugal caiu um ponto na escala de 0 a 100 em 12 meses, de 63 para 62, (em 29o lugar ex-aequo com a Polónia) num clima crescente de desconfiança face às instituições em toda a Europa.

O relatório de 2016 confirma a mesma tendência de ligeiro aumento da perceção da corrupção ao longo dos países da UE, não hesitando em fazer um paralelo entre os resultados do estudo, o clima de desigualdade social, a vaga de descrédito face às instituições e a ascenção do populismo no Velho Continente.

Se a Bulgária (41o lugar) permanece o país da UE onde os habitantes se mostram mais preocupados com o fenómeno, a Transparency International denuncia também o caso da Hungria (48o) para apontar responsabilidades às instituições da UE.

O relatório cita o caso húngaro, onde o partido Fidesz, no poder, é acusado de desviar fundos públicos, para falar de “uma nova face da corrupção na Europa”, descrita como, “a forma deliberada como certas leis e instituições são feitas à medida de certos partidos no governo e dos seus responsáveis”.

A Transparency International não hesita em denunciar a “complacência da UE com esta situação”, acusando Bruxelas de deixar perdurar o problema, “quando a iniciativa anticorrupção da UE continua a ser adiada de forma constante e a segunda edição da medida deveria ter sido iniciada há mais de um ano”. Único sinal de esperança para a TP, “os planos recentes da Comissão Europeia de permitir que a constituição e a propriedade das empresas possam ser submetidas ao escrutínio público, mesmo que vários estados continuem a deitar água na fervura deste tipo de propostas”.

No índice deste ano, apenas o Reino Unido, a Alemanha e o Luxemburgo, mantém os seus 81 pontos, em décimo lugar ex-aequo no “top” dos países com menos perceção de corrupção da UE, liderado uma vez mais por países nórdicos como a Dinamarca (1o), a Finlândia (3o) ou a Suécia (4o lugar).

A Holanda, durante anos considerada como um dos países menos corruptos do mundo, regista uma das maiores quedas deste ano no espaço da UE, passando de 5o para 8o lugar no “ranking” da TP.

Brasil regista avanços graças ao processo Lava-Jato

O relatório aponta ainda o impacto de investigações como os “Panama Papers” ou de escândalos como o da Petrobrás no Brasil, no aumento da perceção da corrupção em todo o mundo.

Segundo a organização, 69% dos 176 países incluidos no estudo registam um valor inferior a 50 pontos. O Brasil regista, no entanto, uma ligeira subida relativamente ao ano passado – de 38 para 40 pontos, a par da Índia e da China – fruto, segundo a TP, da forma como, “o trabalho de organizações independentes do estado permitiram exigir responsabilidades a pessoas que até hoje eram consideradas como intocáveis”.

Moçambique entre as maiores quedas do ano

O documento anual lista igualmente as maiores quedas do ano, lideradas pelo Quatar – 71 para 61 pontos – na sequência dos escândalos ligados à FIFA e à organização do campeonato do mundo de futebol. Na lista encontra-se igualmente Moçambique – queda de 31 para 27 pontos- quando o país tarda em conseguir ultrapassar uma crise económica grave.

No fim da lista permanecem países como a Coreia do Norte, o Sudão do Sul ou a Somália – a última no 176o lugar pelo décimo ano consecutivo.

“Em demasiados países as pessoas não têm acesso aos bens mais essenciais e vão para a cama com fome por causa da corrupção, enquanto os poderosos e corruptos levam vidas faustosas em toda a impunidade”, conclui José Ugaz, secretário da Transparency International.