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Morreu a "mão direita" do nazi Joseph Goebbels: Brunhilde Pomsel tinha 106 anos


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Morreu a "mão direita" do nazi Joseph Goebbels: Brunhilde Pomsel tinha 106 anos

Morreu a “mão direita” do ministro da propaganda de Adolf Hitler. Brunhilde Pomsel trabalhou mais de uma década para o Partido Nazi e pelo menos três anos para Joseph Goebbels, morreu sexta-feira, aos 106 anos.

Nasceu em Berlim, a 11 de janeiro de 1911, cresceu com o pai a combater na Primeira Grande Guerra e dele herdou, assumiu, a obediência cega aos superiores hierárquicos.

Os primeiros anos de trabalho passou-os na loja de roupa de um empresário judeu e no escritório de um advogado também judeu. Nas horas vagas, ajudava um ativista do Partido Nazi a transcrever as respetivas memórias da Primeira Guerra Mundial.

A 30 de janeiro de 1933 esteve nas Portas de Brandenburgo a aplaudir a tomada de posse de Adolf Hitler como Chanceler da Alemanha, mas não o contou ao patrão advogado judeu. “Eu era demasiado boa para isso. Não podia fazer isso ao pobre judeu”, confessaria a certa altura.

Nesse mesmo ano, seria contratada como secretária na divisão noticiosa da corporação de difusão do governo alemão. O novo emprego, muito bem pago para a realidade na altura na sociedade alemã, impunha que Brunhilde Pomsel se filiasse no Partido Nazi.

Apesar de tudo, manteve a proximidade com uma amiga judia, Eva Lowenthal, que viria a morrer no campo de concentração de Auschwitz, na Polónia. Brunhilde Pomsel viria a alegar desconhecimento sobre o que se passava nos campos de concentração, garantindo pensar que os judeus estariam apenas a ser relocalizdaos em Sudetenland, uma zona da antiga Checoslováquia que ahavia sido anexada pela Alemanha em 1938.

Em 1942, Brunhilde Pomsel foi promovida a secretária de Joseph Goebbels, o ministro de propaganda do regime nazi liderado por Adolf Hitler. Neste perído, admite ter falseado registos de vítimas da Segunda Guerra Mundial em benefício dos nazis.

Brunhilde Pomsel admite ter desenvolvido gosto pelo trabalho no ministério nazi. Privou com a mulher de Goebbels e os seis filhos do casal.

Quando a derrota nazi na guerra se tornou inevitável, refugiu-se junto com outros oficiais alemães numa cave do ministério da propaganda, onde o consumo de álcool a ajudou a passar o tempo.

Goebbels acompanhou Hitler no “führerbunker”, onde a 30 de abril de 1945 o líder nazi cometeu suícídio com um tiro de pistola. A mulher do “führer”, Eva Braun, também se matou, mas pela ingestão de cianeto.

No dia seguinte, Goebbels seguiram-lhes os passos e envenenaram também os seis filhos. “Nunca perdoarei a Goebbels o que ele fez ao mundo e pelo facto de ter assassinado os seus inocentes filhos”, afirmou Pomsel, em entrevista ao jornal alemão Bild, considerando o até ali chefe como um “covarde” pelo derradeiro ato.

Num documentário estreado no ano passado, com produção/ realização de Christian Krönes, Florian Weigensamer, Roland Schrotthofer, Brunhilde Pomsel revelou partes da relação profissional com Goebbels, assumiu-se inocente dos crimes cometidos pelos nazis e disse ter simplesmente cumprido ordens.

“Quando se vê como uma pessoa com quem se contacta durante quase todo o dia no escritório, elegante e inteligente, consegue transformar-se num anão raivoso… um contraste maior seria inimaginável”, afirmou a antiga secretária do Partido Nazi alemão em “A German Life” (“Uma Vida Alemã”), documentário que passou em outubro pelo festival português DocLisboa.

Após o suicídio em Berlim de Adolf Hitler, Joseph Goebbels e das respetivas famílias, Brunhilde Pomsel rendeu-se aos soldados russos e esteve presa cinco anos.

Nunca casou, não teve filhos, viveu os últimos anos nos arredores de munique e chegou a trabalhar de forma discreta para alguns meios de comunicação alemães, incluindo televisões.

A antiga secretária de Goebbels morreu sexta-feira, 27 de janeiro. Tinha 106 anos.

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