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Britânicos em Bruxelas numa "corrida" pela nacionalidade belga


A redação de Bruxelas

Britânicos em Bruxelas numa "corrida" pela nacionalidade belga

Ixelles é uma das freguesias de Bruxelas onde residem mais britânicos e um bom exemplo da corrida à informação para obter a cidadania belga, como resposta ao resultado do referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia.

A vereadora Delphine Bourgeois explicou à euronews que “tivemos duas vagas: a primeira de choque, imediatamente após o Brexit, em julho, em que vimos uma reação muito emotiva dos britânicos, que se sentiram subitamente transtornados e desiludidos, dizendo que era como se tivessem perdido um membro da família”.

“Depois, essa reação foi-se consolidando ao longo do tempo e levou a uma outra vaga de pedidos para obter a cidadania belga, vista como simbólica do apego à cidadania europeia”, acrescentou.

São já 250 pedidos entre os 1500 britânicos desta freguesia, próxima do quarteirão das instituições europeias na capital belga.

Tim Nuthall é um deles, que recorda como tomou a decisão: “Acordei por volta das quatro horas da manhã, na noite após o referendo. Tenho uma bebé que na altura tinha 6 meses de idade. Olhando para ela, entre mim e a minha companheira, peguei no telemóvel e vi a notícia. Pensei: “Oh meu Deus, isto é um desastre!”.

“E pensei como seria o futuro dela e o meu, enquanto alguém que está empenhado em viver em Bruxelas e que acredita no ideal europeu. No dia seguinte, dei início ao processo para me tornar belga”, concluiu.

Tim Nuthall tem a cidadania belga desde dezembro passado, que acumula com a britânica.

Mas o correspondente da euronews em Bruxelas, Grégoire Lory, explica que “nem todos os cidadãos britânicos podem beneficiar desta possibilidade porque os funcionários das instituições europeias tem um regime jurídico diferente”.

Um regime que complica o processo, como refere o sindicalista Félix Géradon: “Os funcionários da União Europeia gozam de um estatuto especial e não têm o mesmo cartão de residente que é emitido para os outros estrangeiros”.

“Esses funcionários têm um bilhete de identidade especial emitido pelas autoridades belgas, que não o consideram uma prova do direito à residência na Bélgica e muito menos de integração na sociedade belga, pelo que é um argumento usado para negar a cidadania aos funcionários que a solicitem”, acrescentou.

Para obter a nacionalidade belga, os cidadãos dos outros 27 Estados-membros da União Europeia têm de provar que residem no país há cinco anos.