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Fillon denuncia complot dos média, nega ilegalidades e mantêm-se na corrida


França

Fillon denuncia complot dos média, nega ilegalidades e mantêm-se na corrida

O candidato do centro- direita às presidenciais francesas, François Fillon, não pretende afastar-se da corrida. Em conferência de imprensa esta segunda-feira na sede de campanha eleitoral, Fillon respondeu às acusações de que tem sido alvo.

Fillon decidiu ser mais ofensivo na sua defesa. Sublinhando que “Não tenho nada a esconder” e “nunca tive problemas com a justiça em 32 anos de vida política”, denunciou um complot dos média, que acusou de tentar roubar aos eleitores o direito de decidir nas urnas: “Não cabe ao sistema mediático julgar-me. A decisão é dos franceses.”

“Legal”, mas não “moral”

Ressalvando que “todos os factos evocados” pela imprensa foram “legais e transparentes”, declarou estar arrependido de ter dado trabalho à mulher e aos filhos e pediu desculpa aos franceses:

“O principal sinal de coragem política é reconhecer os seus erros. Colaborar com familiares na atividade política é uma prática que os franceses passaram a rejeitar. O que ontem era aceitável, deixou de o ser. Ao escolher trabalhar com a minha mulher e os meus filhos privilegiei uma colaboração de confiança que hoje suscita desconfiança. Foi um erro. Arrependo-me profundamente e apresento as minhas desculpas aos franceses.”

Quando as sondagens começam pela primeira vez a mostrar que Fillon pode nem sequer conseguir passar a uma segunda volta das presidenciais para enfrentar a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, o candidato do centro-direita tenta salvar a credibilidade aos olhos do eleitorado.

Uma estratégia que o candidato socialista Benoît Hamon se apressou a classificar de “grave erro”, considerando que François Fillon insiste em manter a atitude de negação, ao defender a legalidade do emprego da mulher.

Segundo Fillon, os ataques que o atingem têm um objectivo: afastá-lo da corrida para deixar o campo livre ao Frente Nacional e à esquerda.

François Fillon está no meio de uma tempestade desde que, na semana passada, surgiram revelações sobre pagamentos à mulher por empregos fictícios.

Segundo o semanário Canard Enchaîné, Fillon arranjou dois empregos fictícios à mulher que lhe permitiram auferir mais de 900 mil euros e remunerou dois filhos como advogados, quando estes eram ainda estudantes, com 84 mil euros.

O ex-primeiro ministro Dominique de Villepin defendeu que seja adotado o princípio praticado no desporto: “se o primeiro é desqualificado, cabe ao número dois” ocupar o seu lugar. “Se François Fillon se encontra bloqueado, é Alain Juppé que tem maior legitimidade”, disse esta segunda-feira Dominique de Villepin.

No seu discurso, Fillon não deixou espaço a quaisquer alternativas. Salientando que nenhuma instância tem legitimidade para colocar em causa a sua candidatura, anunciou que “hoje começa uma nova campanha eleitoral”.

Afirmações de Fillon desmentidas

Durante a conferência de imprensa, François Fillon evocou a entrevista dada pela sua mulher em maio de 2007 ao “Sunday Telegraph”. Em excertos desta entrevista divulgados recentemente no programa “Envoyé spécial” da televisão pública francesa, Penelope Fillon dizia: “Eu nunca fui sua assistente nem nada do género, também não me ocupei de serviços de comunicação.”

François Fillon afirmou que a jornalista do “Sunday Telegraph”, Kim Willsher, telefonou à sua mulher para lhe dizer que estava chocada com a utilização que foi feita da sua entrevista. Afirmações imedidatamente desmentidas pela responsável do programa “Envoyé spécial”, Élise Lucet, e pela própria jornalista britânica.

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