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Christophe Rousset apela ao "às musas" para dar força à música


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Christophe Rousset apela ao "às musas" para dar força à música

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Reconhecido cravista e maestro francês, fundou o grupo vocal e instrumental de música clássica Les Talens Lyriques, Christophe Rousset, de 55 anos, é também um defensor vigoroso da necessidade da arte na vida das pessoas. Hoje mais do que nunca, deixa perceber.

 

“Acredito que a atitude humana de uma forma geral, sobretudo a moderna, é a de regresso ao bestialismo. Por isso, é absolutamente fundamental voltar a apelar ao ‘mundo das musas’, isto é, ao mundo da espiritualidade.

“É algo datado praticamente do momento de nascimento da humanidade: o homem era capaz de cantar; o homem era capaz de fazer música com algumas pedras e madeira; o homem era capaz de dançar e de melhorar a capacidade de falar a um nível poético.

“É para isso que temos de nos manter ativos. Não podemos ficar passivos nem nos limitarmos a aceitar o que nos propõem os meios de comunicação de massas. Não podemos ficar abismados ou estupidificados pelo fluxo contínuo de informação da televisão.

“É uma questão de sermos nós mesmos exigentes em relação à própria natureza humana e dizer: ‘Ok! O que é que me estimula a imaginação e a inteligência?’ Porque todos temos esse dom e partilhamos a inteligência.

“Inteligência quer dizer ‘ler através’. ‘O que é que me pode enriquecer? O que é que se pode fazer para que eu venha a tornar-me porventura mais inteligente, mais atento ao outro e ao mundo que me rodeia?’

“É por isso que, para mim, ir a espetáculos, ir à opera e ver a orquestra num fosso e um maestro podem ajudar a música a ser mais impressionante. Não é a música enlatada que devemos ouvir, mas vir mesmo à ópera. É um espetáculo possante que faz com que a nossa arte viva.

“É preciso ter a capacidade de perceber a encenação recorrendo à inteligência e, depois, isso irá faze-lo sentir-se também um pouco mais inteligente à saída do espetáculo.

Considero muito, muito importante haver essas ressonâncias que evoluem no nosso interior. Somos todos seres humanos e todos temos o poder de aceder a esse ‘mundo das musas.’

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