Última hora

Em leitura:

Tragédia no #Girabola2017: Portugal, Cabo Verde, Espanha e UEFA solidários com Angola


mundo

Tragédia no #Girabola2017: Portugal, Cabo Verde, Espanha e UEFA solidários com Angola

Depois do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, logo na sexta-feira, este sábado também o líder da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, e o homólogo da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Pedro Proença, expressaram o “profundo lamento” pela tragédia de Uíge.

No arranque do Girabol2017, o principal campeonato de futebol em Angola, 17 pessoas morreram quando tentavam alegadamente entrar no Estádio 4 de Janeiro, em Uíge, a cerca de 400 quilómetros de Luana, para assistir ao jogo entre Santa Rita de Cássia, que se estrou na primeira divisão, e o Recreativo do Líbolo.

Também a Liga Espanhola de futebol se solidarizou com a tragédia angolana, decretando um mminuto de silêncio em todos os jogos dos dois campeonatos profissionais que organiza em Espanha.


O futebol português uniu-se ao luto pelas vítimas de Uíge. “Ao tomar conhecimento do trágico incidente ocorrido no Estádio 4 de Janeiro (…), o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, enviou uma mensagem ao seu homólogo de Angola, Artur Almeida e Silva, onde exprime o ‘profundo lamento e solidariedade para com todas as vítimas, feridos e familiares, nesta hora difícil e de dor’”, pode ler-se na nota publicada no site oficial da FPF.

“Trata-se de mais um episódio dramático na história do futebol, que deixa de luto os desportistas de todo o Mundo”, referiu Pedro Proença, Presidente da Liga Portugal, numa nota publicada no site oficial do respetivo organismo, o qual “exprime, desta forma, as mais sentidas condolências aos familiares e amigos das pessoas que morreram.”

Na sexta-feira, também através de uma nota na página de internet da Presidência da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa escreveu ter sido “com grande pesar” que romou “conhecimento do acidente” em Uíge.

Eis, na íntegra, as palavras do Presidente de Portugal dirigidas ao homólogo e ao povo angolano.


“Foi com grande pesar que tomei conhecimento do acidente ocorrido hoje no jogo de estreia do Girabola 2017, no Estádio 4 de janeiro, no Uíge, que vitimou numerosas pessoas, entre as quais crianças, para além de ter provocado vários feridos.

Nesta hora difícil, quero transmitir-lhe, Senhor Presidente, em meu nome e em nome do povo português, toda a solidariedade para com o povo angolano, para com os adeptos e profissionais dos clubes que estavam em campo, e especialmente para com as famílias das vítimas, a quem envio, através de Vossa Excelência, as mais sinceras condolências. Quero ainda transmitir os meus votos muito sinceros de rápidas melhoras a todos os feridos.”


O Presidente de Cabo Verde reforçou a onda internacional de pesar pela tragédia de Uíge.

Jorge Carlos de Almeida Fonseca divulgou a seguinte nota:


 

“Senhor Presidente,
Caro irmão,

Foi com profunda consternação que tomei conhecimento da tragédia ocorrida durante o arranque do campeonato angolano de futebol no Estádio Municipal 4 de Janeiro, em Uíge, causando a morte a 17 pessoas e ferindo gravemente dezenas de pessoas.

Neste momento de dor e tristeza, em nome do Povo de Cabo Verde e em meu nome pessoal, presto a Vossa Excelência, aos familiares das vitimas e ao Povo amigo e irmão de Angola, toda a minha solidariedade. Endereço igualmente a Vossa Excelência as minhas profundas condolências pela perda de vidas humanas ocorrida durante essa tragédia.

Queira aceitar, Excelência, os protestos da minha mais elevada consideração.”


Portugueses defrontaram-se no jogo da tragédia

Os treinadores portugueses de Recreativo do Libolo e Santa Rita, Vaz Pinto e Sérgio Traguil, respetivamente, confessaram ter ficado muito abalados com a tragédia no jogo entre as duas equipas para o arranque do campeonato angolano de futebol.

Pelo menos 17 pessoas morreram na cidade angolana do Uíge, norte do país, alegadamente ao forçarem a entrada no estádio municipal 4 de Janeiro, para assistirem ao jogo entre o Santa Rita e o Recreativo de Libolo, que terminou com a vitória dos forasteiros, por 1-0.

“É uma coisa que ultrapassa qualquer resultado. Não interessa nem vitória, nem derrota. O meu pensamento está com as famílias que viram os seus filhos falecer desta forma, pessoas que tentaram a todo o custo ver os seus ídolos. É uma tragédia enorme, estou devastado. Nunca pensei que fosse passar por um momento destes”, afirmou Sérgio Traguil à Lusa.

O sentimento foi comungado pelo seu homólogo do Libolo, que deixou para segundo plano o triunfo obtido na estreia na prova. “Toda a gente ficou muito triste com a notícia que estávamos a receber, porque não era isto que desejávamos para início de campeonato, obviamente”, afirmou.

Os relatos locais apontam para um incidente logo aos sete minutos de jogo, quando centenas de pessoas invadiram um dos portões do mesmo estádio, originando quedas e fazendo com que dezenas de pessoas fossem pisadas entre a confusão. Os dois técnicos lusos reconhecem que se aperceberam de algo estranho no início do encontro.

“Apercebi-me que algo não estava bem, havia um aglomerado de pessoas e entretanto outras deslocaram-se a correr para lá, mas parecia-me uma confusão momentânea, porque havia muita gente para entrar”, frisou Vaz Pinto à Lusa, secundado por Sérgio Traguil: “Olhei para esse portão e vi pessoas a correr, mas nunca pensei que fosse uma tragédia desta dimensão”.

Sublinhando não ter tido qualquer informação durante o jogo dos problemas ocorridos nas imediações do estádio, os dois portugueses explicaram que só souberam do sucedido já depois da partida.

“Se esta informação fosse passada nós tínhamos a obrigação de saber. Nem no início do jogo, nem no intervalo, nada”, referiu Sérgio Traguil.

Já Vaz Pinto apela a que a tragédia desperte uma reflexão das autoridades no futebol de Angola: “Espero, muito sinceramente, que haja uma reflexão. Já no passado houve uma situação deste género. É bom que se criem condições de segurança de modo a que isto não volte a acontecer. Havia muitas crianças no estádio? Espero que se tomem medidas”.

A tragédia já mereceu a reação do Ministério da Juventude e do Desporto de Angola, que em comunicado manifestou “profunda consternação e dor” e apelou a uma investigação.

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal está em Angola

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, iniciou, entretanto, uma visita ao interior de Angola, às províncias do Huambo, Benguela e Huíla.

O chefe da diplomacia portuguesa, que cumpre este sábado o seu segundo dia de visita ao país, tem agendado um encontro com o governador da província do Huambo, João Baptista Kussumua, um encontro com a comunidade portuguesa e idas a um lar de idosos, à empresa de capitais portugueses Angolaca e ao Instituto de Veterinária local.

Ao início da tarde, a comitiva, que integra também os secretários de Estado portugueses da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, e das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, parte para Benguela, no litoral sul do país, onde está agendado um encontro com o governador da província, Isaac dos Anjos.

Em Benguela, está previsto um encontro com a comunidade portuguesa, visitas as instalações do consulado português, ao local concessionado para a construção do novo edifício e a uma obra portuguesa, na Baía Farta.

Para o domingo, está prevista a deslocação à província da Huíla, onde Augusto Santos Silva deverá reunir-se com o governador, João Tyipinge, e visitar a empresa Omatapalo e a escola portuguesa, estando também previsto um encontro com a comunidade.

Augusto Santos Sila chegou sexta-feira a Luanda numa visita de estado para reforçar a cooperação bilateral e já manteve encontros com o seu homólogo angolano, Georges Chikoti, com o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e com o ministro da Defesa de Angola, João Lourenço, que é também o cabeça-de-lista do partido governamental nas eleições presidenciais deste ano.

O principal objetivo da visita está relacionado com a preparação das viagens a Angola, este ano, do primeiro-ministro português, António Costa, e do Presidente da República, Marcelo de Sousa.

mundo

Violência no Parlamento da África do Sul