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"Wize Mirror": Espelho meu, espelho meu, que doença tenho eu?


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"Wize Mirror": Espelho meu, espelho meu, que doença tenho eu?

Um espelho capaz de nos retribuir, além do reflexo da nossa imagem, informações sobre o nosso bem-estar e estado da nossa saúde está a ser desenvolvido com o objetivo de um dia poder estar ao alcance da carteira de todos os cidadãos europeus.

Conhecido como “Wize Mirror”, uma expressão inglesa que pode ser traduzida como “espelho inteligente”, o protótipo é capaz de analisar os sinais recolhidos pela “observação” do nosso rosto e diagnosticar o risco de doenças cardiometabólicas.

 

O que são doenças cardiometabólicas?

São uma das causas da morte mais frequentes do século XXI e, entre elas, está, por exemplo, uma definida pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia deste século: a obesidade. Tem origem num metabolismo deficiente do corpo humano provocado, por exemplo, pelo sedentarismo.

O excesso de peso, a diabetes e a hipertensão arterial são outros problemas de saúde que podem conduzir a um acidente cardiovascular (AVC). Outras consequências das doenças cardiometabólicas podem ser a cegueira, a neuropatia ou a cardiopatia. A má circulação sanguínea pode ser um fator de risco.

Denis Loctier, jornalista da equipa de língua russa da euronews e apresentador do programa Futuris, deslocou-se a Pisa, em Itália, para descobrir o reflexo inteligente devolvido pelo “Wize Mirror”. “Quando nos olhamos neste espelho, ele também nos observa. É o protótipo de um sensor inteligente para sintomas de doenças cardiovasculares”, explica-nos Loctier.

A superfície refletora do “espelho inteligente “ integra um interface tátil que nos permite interagir com um computador equipado com seis câmaras multiespectrais, um sensor 3-D e um analisador do ar que respiramos. O utilizador deve ter um perfil previamente definido que permite ao computador identificar de forma automática o paciente em observação.

A italiana Sara Colantonio explica-nos que o “Wize Mirror” é “um género de ‘espelho mágico’ e inteligente, com sensores integrados e interativo”. “O espelho analisa os sinais faciais e avalia o bem-estar da pessoa em observação”, acrescenta esta investigadora de inteligência artificial e coordenador do projeto SEMEOTICONS.

Investigadora de engenharia biomédica, a também italiana Chiara Zuccalà, por seu turno, explica-nos parte do processo: “Um raio ultravioleta identifica substâncias contidas na pele associadas ao risco de contrair diabetes. Mede uma sequência de 20 segundos, permitindo analisar alguns movimentos do rosto e estudar o nível de stresse da pessoa. Um outro raio de luz vai permitir estudar outros indicadores da pele relacionados com o colesterol.”

“No final da recolha de dados, o sistema assimila todos os parâmetros avaliados num índice de bem-estar, o que nos revela o estado do paciente em relação ao risco de doenças cardiometabólicas”, concretiza a coordenadora do projeto, Sara Colantonio.

Este projeto mereceu o investimento de 3,87 milhões de euros pela Comissão Europeia. Ao longo dos 36 meses previstos de desenvolvimento deste “espelho inteligente”, os cientistas envolvidos recorreram a voluntários e a equipamentos tradicionais de diagnóstico para dar maior precisão aos algoritmos do usados pelo novo equipamento para identificar os sinais das diferentes doenças.

O também investigador de engenharia biomédica, e igualmente coordenador do projeto, Giuseppe Coppini conta-nos que “estes voluntários participam em avaliações clínicas tradicionais como a calorimetria, a composição corporal ou testes de caraterização do risco cardiometabólico de acordo com os critérios clínicos” já em uso.

“Em simultâneo, realizamos as medições permitidas pelo espelho como a imagem facial multiespectral, a reconstrução 3D e a análise emocional”, acrescenta.

Três protótipos completamente funcionais deste “espelho inteligente” (“Wize Mirror”) foram desenvolvidos com sucesso, mas antes de poderem ser disponibilizados no mercado, os responsáveis pelo desenvolvimento deste novo sistema de diagnóstico pretendem torna-lo mais acessível aos consumidores e robusto.

A espanhola Meritxell Gimeno Garcia sublinha tratar-se de “um equipamento muito complexo”. “Tem um grande número de câmaras — seis no topo mais duas em baixo —- e, por isso, tem, atualmente, um custo elevado. Estamos a ponderar desenvolver novos subprodutos com menos funções, mas mesmo assim possibilitando ao utilizador a recolha de dados relevantes e úteis. Estes subprodutos serão mais pequenos e mais baratos”, estima a diretora executiva (CEO) da DRACO Systems.

Três testes clínicos realizados em França e em Itália revelaram uma boa correlação entre as leituras do espelho e os métodos convencionais de diagnóstico.

A cardiologista Maria Aurora Morales é a coordenadora clínica do projeto SEMEOTICONS e sublinha “a vantagem deste instrumento” de diagnóstico: “além da informação sobre a existência de fatores de risco cardiometabólicos, permite também a recomendação de comportamento em termos de dieta, atividade física e de como evitar o mais possível hábitos nocivos como fumar.”

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