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Os cipriotas "podiam fazer muito mais se o país se reunificasse"


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Os cipriotas "podiam fazer muito mais se o país se reunificasse"

A ilha de Chipre está dividida desde 1974. Recentemente, foram iniciadas negociações para debater a reunificação. Mas é um caminho frágil. O que está em jogo e que vantagens pode a aproximação trazer? O Insiders falou com Fiona Mullen, analista da Sapienta Economics em Chipre. A segunda parte da entrevista aborda as vantagens económicas de uma eventual reunificação.

Sophie Claudet, euronews: O mundo dos negócios, dentro e fora de Chipre, defende a implementação do acordo de paz?

Fiona Mullen: As duas câmaras de comércio estão a fazer um grande trabalho porque estão a juntar empresários, estão a apresentar as pessoas, para que todos avancem mal haja uma solução.

euronews: Há muitos empresários estrangeiros a visitar Chipre?

FM: Eu sei que o conselheiro especial da ONU, Espen Barth Eide, tem falado com muita gente. Ele tem boas relações no Fórum Económico Mundial, onde foi diretor. E ele afirma que Chipre suscita muito interesse. Mas acho que, para que os investidores estrangeiros comecem a chegar, tem de ser convocado um referendo que seja aprovado.

euronews: Quais são os setores que mais podem beneficiar com um acordo de paz?

FM: Os mais evidentes são o turismo, o gás natural, os transportes marítimos e os serviços. Mas a verdade é que toda a economia sairia a ganhar. A economia cipriota grega, que representa 18 mil milhões de euros, poderia começar a negociar com a economia turca, que ascende aos 700 mil milhões de euros. Isso é algo que não acontece hoje em dia. E os cipriotas turcos, que têm uma economia de apenas 3 mil milhões de euros, poderiam negociar diretamente com a União Europeia, que possui uma economia de 14 biliões de euros. Ou seja, toda a gente sai a ganhar.

euronews: E no que diz respeito à criação de emprego? O desemprego entre os jovens em Chipre é muito elevado, sobretudo no sul. Um acordo de paz pode relançar a economia e criar mais emprego, sobretudo para os jovens?

FM: Sim, essa é uma questão muito importante aqui em Chipre. Um em cada três jovens está desempregado. E entre os que têm emprego, encontramos doutorados a servir às mesas em cafés. Há também muitas empresas e agregados familiares cheios de dívidas. Eu sei que os cipriotas podem fazer muito com muito pouco. Mas podiam fazer muito mais se o país se reunificasse. O Chipre é o único país desta região que pode estabelecer diálogo com qualquer um dos seus vizinhos. Diplomaticamente, isto pode ser crucial: o país pode tornar-se num ator em vez de ser apenas um peão. E isso significa que as pessoas podem procurar Chipre, um membro estável da União Europeia, para fazer negócios. É isso que tem de acontecer. Se as gerações mais velhas não ultrapassarem os problemas históricos para poderem oferecer uma dádiva aos jovens desempregados, será uma tragédia.