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Deputados europeus ameaçam imunidade de Marine Le Pen

Comissão de assuntos legais aprova retirada da proteção parlamentar à lider da Frente Nacional, mas decisão terá de ser ainda aprovada pelo Parlamento Europeu.

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Deputados europeus ameaçam imunidade de Marine Le Pen

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A líder da Frente Nacional francesa e candidata de extrema-direita à sucessão em abril de François Hollande como Presidente, Marine Le Pen viu esta terça-feira os deputados europeus aprovar em primeira instância o levantamento da imunidade parlamentar da também deputada europeia pela França.

Para já, o levantamento da imunidade foi aprovado apenas na comissão de assuntos legais, com 18 votos a favor e três contra. Mas a decisão terá de passar ainda pela votação em plenário do Parlamento Europeu. O que deverá acontecer ainda esta semana.

Em causa estão imagens de atos bárbaros cometidos por membros do grupo terrorista Estado Islâmico (“Daesh”/ ISIL), incluindo decapitações, partilhadas pela candidata presidencial francesa em 2015 e que motivaram a abertura de um processo pela justiça gaulesa.

Marine Le Pen alegou ter partilhado as imagens, afcompanhadas da legenda “o ‘daesh’ é isto”, em resposta à “comparação ignóbil” feita por um jornalista francês de que o grupo terrorista e o partido Frente Nacional eram similares. Com as imagens, a líder da extrema-direita pretendia apenas expressar a enorme diferença entre as duas entidades.

As autoridades de Paris pediram às instâncias europeias o levantamento da imunidade concedida a Marine Le Pen enquanto deputada europeia.

Se o Parlamento Europeu confirmar o voto da comissão de assuntos legais, a candidata presidencial pode ser alvo de um processo pelo crime de “publicação de imagens violentas” e incorre numa pena de três anos de prisão e de uma multa até 75 mil euros.

Le Pen e a Frente Nacional estão também a ser investigados pelo alegado uso indevido de fundos europeus para financiar . O levantamento de imunidade da candidata presidencial em curso não deverá permitir que esta outra investigação atinja também a líder da extrema-direita, mas apenas no caso da partilha das imagens violentas.

Marine Le Pen esteve em campanha esta terça-feira numa feira agrícola e ainda não reagiu de viva voz ao voto dos camaradas europeus. A candidata tem contudo vindo a referir-se às investigações em curso como uma interferência política nas eleições.

Já em 2013, Marine Le Pen viu a imunidade parlamentar ser levantada e teve de responder em 2015 pela comparação efetuada entre as orações públicas dos muçulmanos e a ocupação nazi durante a II Guerra Mundial. Na altura, os procuradores acabaram por deixar cair as acusações.

Marine Le Pen é dada, pelas sondagens, como vencedora da primeira volta das Presidenciais francesas e como derrotada na segunda diante do independente de esquerda Emanuel Macron.