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Arménia concluiu acordo com UE que não desagrada à Rússia


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Arménia concluiu acordo com UE que não desagrada à Rússia

A União Europeia e a Arménia concluíram as negociações sobre o novo Acordo de Parceria Global e Avançado, durante a visita a Bruxelas, na passada segunda-feira, do Presidente arménio Serzh Sargsyan. O acordo deverá ser assinado em maio.

A Arménia, bem como a Ucrânia, deveriam ter assinado um acordo de associação política e de livre comércio com a União Europeia, em novembro de 2013, em Vilnius, durante a Cimeira da Parceria de Leste.

A desistência deveu-se à pressão da Rússia sobre estes países, porque considerava o acordo uma ameaça à sua esfera de influência nas ex-repúblicas da União Soviética.

Como reação, a Ucrânia viveu uma revolução que levou à queda do governo. Na Arménia também se registaram protestos ao longo de vários meses, mas o Presidente manteve-se no poder.

O novo acordo com a União Europeia surge dois anos após a adesão da Arménia a um bloco comercial liderado pela Rússia, a União Económica Eurasiática.

A Rússia também mantém presença militar na Arménia, incluindo sistemas de mísseis Iskander, alegando querer manter a calma em Nagorno-Karabakh, território disputado pela Arménia e o Azerbaijão.

A União Europeia considera que esse conflito é a principal ameaça à estabilidade e ao progresso na região.

No próximo dia 2 de Abril, serão realizadas eleições legislativas na Arménia, na sequência da decisão do referendo constitucional, em 2015, que ditou a passagem do sistema presidencialista para o sistema parlamentarista.

O Presidente da Arménia, Serzh Sargsyan, concedeu uma entrevista ao correspondente da euronews em Bruxelas, Andrei Beketov.

Andrei Beketov/euronews (euronews): Senhor Presidente, muito obrigado por dar esta entrevista à Euronews, em Bruxelas, depois das conversações sobre um novo acordo-quadro com a União Europeia. Trata-se de um passo atrás, ou para a frente, em comparação com o acordo de associação de que a Arménia desistiu, em 2013?

Serzh Sargsyan/Presidente da Arménia (Presidente da Arménia): Devido à boa vontade de ambas as partes, este acordo não é muito diferente do anterior. Não há quase nenhuma diferença na parte política. Quanto à parte económica, tivemos que garantir que não há contradição com os nossos compromissos com a União Económica Euroasiática, da qual somos membros.

euronews: Mas a Rússia sempre se opôs aos acordos de associação da União Europeia com a Arménia e com a Ucrânia. Teve de diminuir a sua ambição para não desagradar à Rússia?

Presidente da Arménia: Desde o início das negociações, o nosso entendimento era de que poderíamos ter tanto o acordo de associação com a União Europeia como uma estreita integração com a União Económica Euroasiática. Os russos nunca nos disseram que não poderíamos assinar tal acordo. Disseram-nos que o poderíamos assinar, se assim quiséssemos, mas depois teríamos de pagar pela energia russa ao preço do mercado mundial.

euronews: Considera que, no futuro, a União Económica Eurasiática poderá ser tão importante quanto a União Europeia?

Presidente da Arménia: Penso que é muito cedo para falar sobre serem equivalentes. Seria melhor falar sobre a cooperação entre os dois blocos. E nós somos um exemplo de que isso é possível.

euronews: O que é que pode oferecer à União Europeia? O jogador de futebol Mkhitaryan é uma boa exportação, mas o que mais?

Presidente da Arménia: Temos muitas pessoas famosas tais como Henrikh Mkhitaryan e Levon Aronyan, temos campeões olímpicos, mas podemos ser úteis para a União Europeia com a exportação dos nossos produtos agrícolas. As tecnologias de informação também se estão a desenvolver muito rapidamente na Arménia. Mas, acima de tudo, podemos ser um vizinho amigo dos europeus. Um vizinho previsível.
 
euronews: A Arménia também depende da Rússia para a segurança. Está à procura de alternativas, como por exemplo, a NATO?

Presidente da Arménia: Acabei de me encontrar com o secretário-geral da NATO. Convidei-o a visitar a Arménia para celebrar a cooperação de que temos desfrutado nos últimos 25 anos. Não vemos nenhuma contradição entre essa parceria e a nossa aliança com a Rússia.

euronews: Em que direção pretende levar a República da Arménia, que é agora um regime presidencialista? No que poderá tornar-se?

Presidente da Arménia: Vai ser um país mais agradável para cada um dos cidadãos arménios. Acredito firmemente que o modelo parlamentarista de governo é o mais eficiente. Oferece melhores oportunidades para uma boa governação, para que os cidadãos e representantes da sociedade civil participem na gestão do país. Também dá aos cidadãos menos motivos para protestarem do que atualmente.

euronews: E o seu futuro? O seu nome não consta na lista do Partido Republicano, agora no poder, para as eleições legislativas de abril. Isso significa que vai abandonar a política?

Presidente da Arménia: Isso significa que levamos em conta as críticas expressas pela oposição sobre a utilização dos recursos administrativos durante o processo eleitoral. E também significa que estamos a criar oportunidades para que os jovens se expressem na política. Já passaram dez anos desde que me tornei líder do Partido Republicano e manterei essa posição.

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