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Irlandesa vítima de padre pedófilo abandona Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores


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Irlandesa vítima de padre pedófilo abandona Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores

A irlandesa Marie Collins abandonou a Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores, anunciou na quarta-feira o Vaticano.

Ela própria vítima de abusos sexuais cometidos por um sacerdote quando era criança, Collins denuncia uma “vergonhosa” falta de cooperação no Vaticano, em particular por parte da Congregação para a Doutrina da Fé:

“A falta de cooperação, em particular por parte do dicastério da Cúria Romana mais implicado na questão dos abusos sexuais, tem sido vergonhosa”, disse a irlandesa.

Segundo leiga católica, “Ainda há homens no coração da igreja, na Cúria, em Roma, na administração da igreja, que colocam outras considerações acima da colaboração com a Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores.”

Collins, que fazia parte da Comissão desde a sua criação pelo Papa Francisco em 2014, explicou as razões que a levaram a renunciar num artigo publicado pelo jornal independente norte-americano “National Catholic Reporter”. Para o correspondente deste jornal no Vaticano, Joshua McElwee, a saída da irlandesa compromete a credibilidade da comissão:

“Neste momento, a Comissão encarregada de falar sobre abusos sexuais cometidos por sacerdotes, já não tem entre os seus membros vítimas destes abusos. Várias pessoas têm dito que é difícil imaginar que a Comissão tenha credibilidade para falar sobre o abuso sexual por parte de padres se deixou de incluir vítimas”, disse McElwee.

Marie Collins é a terceira pessoa a demitir-se da Comissão. Em fevereiro do ano passado o britânico Peter Saunders, o único outro membro da comissão também abusado sexualmente por sacerdotes afastou-se, frustrado pela lentidão dos trabalhos. “Disseram-me que Roma não se fez num dia, mas bastam alguns segundos para violar uma criança”, disse então ao Los Angeles Times.

Saunders e Collins tinham já ameaçado em fevereiro de 2015 abandonar a comissão, se os bispos não passassem a ser responsabilizados quando encobrem padres pedófilos.

Apesar de reconhecer que o Papa está sinceramente empenhado em acabar com os abusos sexuais na Igreja, Collins lamenta que Francisco não perceba que o facto de ter reduzido as sanções que tinham sido atribuídas a vários padres pedófilos deita por terra todos os esforços feitos.

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