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Presidenciais: Os affaires de uma campanha

Os escândalos que envolvem os candidatos François Fillon e Marine Le Pen parecem beneficiar o rival independente, Emmanuel Macron.

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Presidenciais: Os affaires de uma campanha

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Com AFP

A menos de dois meses da primeira volta das eleições presidenciais francesas, os eleitores dizem estar fartos da campanha e não saberem em quem votar, dececionados com os diferentes escândalos que abalaram o país e que envolvem dois dos principais candidatos, François Fillon e Marine Le Pen.

Os programas políticos parecem ter perdido a prioridade, cedendo o lugar, nos principais diários nacionais, às intenções por parte da Justiça relativamente a canidatos como François Fillon (LR, centro-direita) ou Marine Le Pen (FN, extrema-direita).

François Fillon, antigo primeiro-ministro do presidência Sarkozy (2007-2012) e candidato do centro-direita (Les Républicains), pagou caro nas intenções de voto as investigações de que é alvo por parte da Justiça francesa.

Apenas 25% dos eleitores dizem estar de acordo com que Fillon continue na corrida ao Eliseu.

No entanto, o candidato diz não ter a intenção de desistir e que o faz, mais do que por ele, “pela democracia”. Acusa a justiça de parcialidade e diz que há uma caça às bruxas nos meios de comunicação social franceses.

François Fillon, de 62 anos, encontra-se no centro da polémica depois de uma investigação preliminar ter sido aberta pela Justiça no final de janeiro, depois de uma denúncia publicada no jornal satírico Canard Enchaîné.


Segundo o Canard, o candidato dos Republicanos teria contratado a mulher, Penélope, como assistente parlamentar, posto remunerado com fundos públicos, sem que existam também segundo a publicação, qualquer prova de que esta tenha realmente trabalhado.

Penelope Fillon teria recebido até 800 mil euros, graças ao posto de trabalho atribuído pelo marido.
Marine Le Pen protesta contra a Justiça

Marine Le Pen, a candidata da extrema-direita, não duvidou em criticar o adversário nas redes sociais.

Le Pen insistiu na “falta de coerência” de François Fillon e na sua incapacidade de fazer campanha, mas acabou também de ter de enfrentar suspeitas por parte da justiça francesa.

E ainda que tenha recusado prestar declarações, deixou de ter esse direito, pois o Parlamento Europeu suspendeu a imunidade da candidata e eurodeputada-.

Pelo menos outros três membros da Frente Nacional são investigados.

Le Pen nega, no entanto, ter cometido qualquer erro e, tal como Fillon, fala em manipulações feitas com o objetivo de prejudicar a sua campanha.

Até ao momento, o grande beneficiário é o independente Emmanuel Macron, do movimento En Marche. Segundo as mais recentes sondagens, Macron aproxima-se de Le Pen nas intenções de voto para a primeira volta.

François Fillon continua em terceiro lugar nas intenções de voto e não deverá passar a uma muito provável segunda volta.