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Geert Wilders e as eleições nos Países Baixos


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Geert Wilders e as eleições nos Países Baixos

Pretende “travar a imigração muçulmana, fechar todas as mesquitas e proibir o Alcorão. As políticas de Geert Wilders podem parecer extremas, mas também parecem ter algum eco antes das eleições parlamentares a 15 de março.

O Partido para a Liberdade tem-se empenhado bastante, para ocupar uma posição de destaque nas sondagens de opinião.

Aqui explicamos o funcionamento das eleições holandesas assim como as hipóteses e as consequências de Wilders chegar ao poder.

Qual a importância destas eleições?

A possibilidade que Wilders, líder de extrema direita, venha a ocupar um primeiro lugar nas eleições holandesas pode causar mais desconforto em Bruxelas – ainda a tentar conter as consequências do Brexit.

O triunfo de Wilders continuaria uma tendência: do Brexit e de Trump – das chamadas forças contra o sistema estabelecido – e daria um grande impulso aos partidos de extrema-direita em França e na Alemanha.

Como funciona o sistema eleitoral holandês?

Baseia-se em proporções. Desta forma, um partido que obtenha 9% dos votos, obtém 9% dos assentos no parlamento holandês. O parlamento holandês tem 150 assentos e são necessários 76 para uma maioria.



Wilders pode vir a ser o próximo primeiro-ministro dos Países Baixos?

Muitos especialistas, mesmo reconhecendo choques como o Brexit ou a vitória de Trump, acham que não. O próprio sistema que permite que partidos como o de Wilders tenham uma palavra a dizer também prevê um mecanismo para que o parlamento não seja dominado por apenas um partido.

“Acho que os relatos que sugerem que Wilders está prestes a controlar os Países Baixos é enganoso, definitivamente, não é esse o caso”, disse Gijs De Vries, um antigo político holandês que trabalha no Instituto Europeu da London School of Economics. Segundo as sondagens não ultrapassa 20% dos votos. “Em segundo lugar, ele terá grandes dificuldades em formar uma coligação. Até agora, os outros partidos já vieram dizer que não pretendem fazer parte de uma coligação que inclua Wilders.”

Como é que Wilders influencia a campanha?

“O discurso de Wilders é cada vez mais copiado e criticado pelos concorrentes”, adiantou De Vries à Euronews. “O atual Primeiro Ministro escreveu uma “carta aberta” num grande jornal holandês que, entre linhas, dizia: “se os estrangeiros não se comportarem da forma que os holandeses querem – é melhor fazerem as malas.”

“Os outros candidatos abraçam algumas das ideias de Wilders sem o extremismo.”



Qual é o papel dos muçulmanos e da imigração?

“A nível local, a maior das pessoas dá-se bem com os vizinhos”, disse De Vries. “Muçulmanos, cristãos, ateus ou budistas. Mas acho que existem muitas preocupações genuínas de pessoas que sentem que os seus bairros já não têm o mesmo ambiente”.

“É um sentimento de muitas pessoas; é genuíno e deve ser levado muito a sério. Para além disso, é claro que existem vários políticos a ventilar as chamas da xenofobia. E, claro, Wilders é um deles. Ele tem apoio, mas muitas pessoas acham que está a ir longe demais”.

Os muçulmanos holandeses representam, aproximadamente, de 5% da população do país. No que diz respeito ao fluxo de refugiados da UE, os Países Baixos receberam cerca de 33 mil pedidos de asilo até Setembro de 2016, de acordo com o Eurostat.

Quais as outras questões na mente dos eleitores?

A economia é um problema, embora alguns dos indicadores do país sejam positivos. O desemprego, por exemplo, foi de 5,4% em dezembro de 2016. Mas, segundo De Vries, existem preocupações entre os jovens, devido à precaridade.

A saúde também é importante para os eleitores, acrescentou. De Vries disse que a principal questão é que as pessoas tenham de pagar mais para aceder ao sistema nacional de saúde.

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