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Holandeses e muçulmanos: Como seria o governante Wilders?

Falámos com habitantes do bairro de Schilderswijk, em Haia, sobre o que representa a figura do Partido da Liberdade nestas eleições.

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Holandeses e muçulmanos: Como seria o governante Wilders?

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Com Isabel Marques da Silva, em Bruxelas, e James Frenney, em Haia

As eleições nos Países Baixos são marcadas pela profunda crise de identidade que parece viver a Europa, em particular países mais tocados pelos fenómenos migratórios, e pelas recentes tensões com a Turquia.

A EURONEWS esteve na capital executiva holandesa, Haia, e conversou com alguns residentes de origem estrangeira, no bairro de Schilderswijk, um dos mais culturalmente diversificados da cidade, mas também um dos mais carenciados.

A maioria explicou-nos que as posições tomadas por Geert Wilders, o líder do Partido da Liberdade (PVV, sigla em língua neerlandesa, direita populista), eram agressivas e mesmo infundadas.

Houve também quem dissesse à EURONEWS que “nem todos os muçulmanos eram iguais” e que muitos se “esforçavam por estar integrados”.


Quase todos os entrevistados, que se consideram muçulmanos (de origem turca ou marroquina, por exemplo) disseram que Wilders não teria forma de atingir alguns dos seus objetivos.

Um dos países mais densamente povoados do mundo

Segundo dados oficiais, residem no território dos Países Baixos, 17,1 milhões de pessoas. Trata-se de um dos países mais densamente povoados de todo o mundo.

O recente crescimento populacional fica a dever-se à imigração de vários países como Marrocos, Turquia, Etiópia e Síria.

Segundo a agência de estatística holandesa CBS/ Statistics Netherlands, mais de 31 mil pessoas pediram asilo aos Países Baixos em 2016. Cerca de 9 mil são crianças.

Um pequeno gigante na UE com um crescimento económico estável

A Comissão Europeia diz que a economia holandesa tem vindo a crescer de forma estável, uma tendência que deverá manter-se em 2018, acompanhada por uma criação significativa de postos de trabalho e por uma redução do défice​ público.

A economia holandesa cresceu 2,1% em 2016, mais 1% do que no ano anterior. ​O crescimento deste ano e de 2018 ​deverá manter-se, segundo a comissão,​ nos 2%.


É a sexta maior economia da UE, apenas superada por países com população muito superior. Os cinco países com um peso económico superior aos Países Baixos na UE em 2016 apresentam populações superiores a 45 milhões de habitantes – Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha.

Se em janeiro de 2017, a população residente nos Países Baixos ultrapassava os 17 milhões, dados oficiais contabilizam quase 83 milhões na Alemanha (Statba )​, mais de 66 milhões em França​ (INSEE), mais de 65 milhões no Reino Unido​ (ONS), mais de 60 milhões em Itália ​(ISTAT) e pouco mais de 46 milhões em Espanha​ (INE)​.

Segundo a CE relativamente à dívida pública, a tendência, será, nos próximos dois anos, para um relativo decréscimo. Em 2015, a dívida pública atingia os 65,1% do PIB e em 2016, 62,1% A Comissão prevê que esta se reduza para 60,2% este ano e para 58,3% em 2018.

A sexta taxa de desemprego mais baixa da União

De acordo com a CBS​/ Statistics Netherlands, em janeiro deste ano, o país apresentava uma taxa de desemprego de 5,3%, abaixo da média da União Europeia – 8,1%.

O mercado de trabalho dos Países Baixos é assim o sexto com dos *28 com menos desemprego, superado apenas pela Chéquia (3,4%), pela Alemanha (3,8%), pela Hungria (4,3%), por Malta (4,4%) e pelo Reino Unido (4,7%).

Cerca de 480 mil pessoas encontravam-se inscritas nos centros de emprego holandeses no início do ano e cerca de *419 mil” recebiam subsídios mensais.

A Comissão Europeia por seu lado, prevê que a tendência para a “redução do desemprego” se mantenha e que, em “2018”, desça para níveis inferiores a “5%”, chegando aos “4,7%”.

Empregabilidade dos jovens apenas superada pela Alemanha

A tendência para a “redução do desemprego” dos últimos meses, diz a CBS/ Statistics Netherlands, fez-se sentir em todos os grupos etários da população ativa.

O desemprego jovem encontra-se, desde agosto de 2011, abaixo dos 10%, depois de atingir valores máximos em setembro de 2013, quando cerca de 14% da população ativa não tinha trabalho.

A atual taxa de desemprego jovem de 9,8% – valores de janeiro de 2017, faz da economia holandesa a segunda mais bem colocada em termos de empregabilidade dos trabalhadores jovens, apenas superada pela Alemanha.