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Bélgica debate-se com falta de pessoal para travar extremistas


A redação de Bruxelas

Bélgica debate-se com falta de pessoal para travar extremistas

Palco de atentados terroristas levados a cabo por extremistas islâmicos, há um ano, a Bélgica continua a enfrentar uma forte ameaça por ter das mais altas taxas per capita na Europa de nacionais radicalizados que se juntaram ao Daesh, na Síria e no Iraque.

O filho de Olivier Bets, de 23 anos, morreu na Síria, em 2013, mas muitos companheiros já regressaram ao país. Este cidadão belga defende a aposta em programas de reintegração.

“É um tema delicado porque, devido aos atentados em Bruxelas, temos medo de receber pessoas que são potencialmente perigosas. Posso mencionar o exemplo de meu filho: se ele ainda estivesse vivo, o que é que eu teria feito? Tentaria ajudá-lo por todos os meios”, disse à euronews Olivier Bets.

Os serviços de segurança estimam que cerca de 30% destes combatentes regressaram aos vários países de origem, o que no caso da Bélgica se traduz em mais de uma centena de pessoas.

O problema tornou-se uma prioridade para os serviços de contra-terrorismo, assegurou à euronews um investigador: “Estamos prontos para reagir quando regressarem e estamos de prevenção”.

“Se regressarem de avião ficaremos ao corrente, mas se vierem da Síria por terra, atravessando fronteiras terrestres, teremos maior dificuldade em detetá-los. Mas temos operações de rotina, verificamos informações, estamos a trabalhar porque nunca se sabe o que esperar”, acrescentou o agente que pediu anonimato.

A correspondente da euronews, Elena Cavallone, explica que “enfrentar os novos desafios da luta antiterrorismo é um trabalho difícil na Bélgica. Além das dificuldades na troca de informações com serviços secretos de outros países, também falta coordenação entre os diversos serviços internos de segurança, tal como denunciam os sindicatos da polícia federal”.

Os agentes participaram numa manifestação na cidade belga de Namur, em meados de março, para reivindicar a contratação de pelo menos mais cinco mil operacionais.

Um representante sindical da polícia federal, Eddy Quaino, afirmou que “foi anunciado que o plano de segurança nacional não vai ser preenchido. Isso tem impacto, nomeadamente, na gestão da informação”.

“Podemos afirmar que, atualmente, muitas informações que chegam de vários países europeus, na chamada encruzilhada oficial de informações, não estão a ser tratadas por falta de pessoal. Receamos que se esteja a passar ao lado de informação que está disponível mas que não é tratada por falta de pessoal”, acrescentou o sindicalista.

Após os atentados, o governo belga apresentou 30 medidas, das quais garante que 26 foram implementadas, ou estão em vias de o ser, ao fim de um ano.