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França: Investigado por suspeita de criação de empregos fictícios para as filhas, ministro do interior demite-se


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França: Investigado por suspeita de criação de empregos fictícios para as filhas, ministro do interior demite-se

O ministro do Interior francês, Bruno Le Roux, demitiu-se do cargo esta terça-feira, após o anúncio pela Procuradoria financeira francesa da abertura de um inquérito judicial preliminar sobre a suspeita de criação por Le Roux de empregos fictícios para as filhas.

Le Roux empregou as filhas como assistentes parlamentares, quando era deputado. Anunciou em conferência de imprensa ter apresentado o pedido de demissão ao presidente francês, François Hollande, porque considerou que é sua responsabilidade “preservar a ação governamental”, depois de a Procuradoria financeira ter aberto uma investigação. Sublinhou que deu trabalho às filhas durante as férias escolares e universitárias e que o trabalho em questão foi realizado:

“Estes contratos ocasionais e oficiais, em conformidade com os serviços jurídicos parlamentares, correspondem, é claro, a trabalho real e que foi executado. Estes momentos quando trabalhámos juntos foram importantes para mim e construtivos para elas. No cargo que eu tinha, não havia muito tempo livre para estar com elas.”

A investigação foi confiada à Direção Central para o Combate à Corrupção e Infrações Financeiras e Fiscais (OCLCIFF), segundo um comunicado da Procuradoria financeira.

Ministro do Interior desde dezembro, Bruno Le Roux foi substituído no cargo por Matthias Fekl, até aqui secretário de Estado do Comércio externo.

De acordo com um programa emitido na segunda-feira pela cadeia televisiva TMC, Bruno Le Roux empregou as filhas com contratos a termo quando estas eram estudantes de liceu e universitárias, entre 2009 e 2016, por um montante total de cerca de 55 mil euros. As filhas tinham 15 e 16 anos à data dos primeiros contratos (24 na totalidade).

Em declarações à emissora RTL, na sequência do anúncio feito pela Procuradoria Financeira, o secretário-geral dos socialistas, Jean-Christophe Cambadélis, fez questão de frisar que “neste momento nada permite afirmar que se tratou de emprego fictício”.

“A questão não é se ele contratou membros da família, mas sim se o trabalho foi feito ou não. Se o trabalho não foi concluído, então sim, trata-se de um pagamento adicional que constitui um verdadeiro problema moral, político e ético”, disse Cambadélis.

O candidato do PS à eleição presidencial, Benoît Hamon, comentou em Bruxelas, à margem de encontros com Jean-Claude Juncker e Pierre Moscovici, que a justiça deve aplicar-se a todos. A 33 dias do ecrutínio, “Não é bom para mim, porque ele é socialista e isto cria uma simetria com o caso Fillon”, lamentou Hamon.

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