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Até onde irá a "guerra verbal" entre a Turquia e a Europa?


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Até onde irá a "guerra verbal" entre a Turquia e a Europa?

Os comentários do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, contra a Europa crescem todos os dias. A poucas semanas do referendo sobre o reforço dos seus poderes, Erdogan sobe o tom dos ataques. Esta manhã voltou a falar dos incidentes com a Alemanha e a Holanda, deixando ameaças e, mesmo, uma lição de democracia: “Se continuarem por este caminho, nenhum europeu em nenhum sítio do mundo poderá andar em segurança pelas ruas. Se avançarem por este caminho perigoso, vão sofrer grandes danos. Nós, a Turquia, apelamos à Europa para respeitar os Direitos Humanos e a democracia”,disse.

Há um ano Bruxelas e Ancara assinaram um acordo destinado a limitar a chegada de refugiados à Europa. Um ano depois o acordo está por um fio. Quanto mais a crise entre as duas partes se agudiza, mais a Turquia ameaça rompê-lo. Ontem, o presidente turco reiterou que a chantagem sobre a adesão à União Europeia ou qualquer outro acordo já não funciona: “Se vocês atacarem, desculpem que diga, mas terão o contra-ataque. O processo de adesão à União Europeia ou o acordo sobre os refugiados, ou isto ou aquilo, já não são ameaças para nós”.

Na verdade, as perspetivas de adesão da Turquia à União há muito que estão moribundas. A reação das autoridades turcas após a tentativa falhada de golpe de estado de julho passado tornaram as relações muito tensas e as declarações de Erdogan só têm contribuído para envenenar ainda mais a situação. Os europeus ainda estão longe de perdoar terem ouvido o presidente turco tratar os alemães e os holandeses de “nazis”.

“Os comentários do presidente Erdogan sobre a Alemanha e a Holanda não são aceitáveis. Não queremos ser comparados com os nazis”, indignou-se, por exemplo, o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

Em tom ainda mais firme, o governo holandês impediu o ministro turco dos Negócios Estrangeiros de participar em Roterdão num comício de mobilização para o referendo em que Erdogan espera ver alargados os seus poderes.