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Portugal exige demissão de Dijsselbloem após declarações "inaceitáveis"

O primeiro-ministro português apelou à demissão do presidente do Eurogrupo, após os polémicos comentários sobre os países do sul da Europa.

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Portugal exige demissão de Dijsselbloem após declarações "inaceitáveis"

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O primeiro-ministro português apelou à demissão do presidente do Eurogrupo, após os polémicos comentários sobre os países do sul da Europa.

António Costa considerou as declarações de Jeroen Dijsselbloem, como “racistas e xenófobas”.

Numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung , o político defende a solidariedade dos países do norte da Europa durante a crise do euro, afirmando, “não se pode gastar todo o dinheiro em bebida e mulheres e depois pedir ajuda”.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva:

“Muita gente percebeu que o presidente do Eurogrupo não tem condições para manter-se no cargo e o governo português partilha esta posição. As declarações de Dijsselbloem são absolutamente inaceitáveis”.

A vaga de indignação atingiu igualmente Espanha e Itália, sem fazer com que o responsável pedisse desculpas ou retirasse as afirmações.

O ministro da Economia espanhola lamentou, por seu lado, “a falta de arrependimento de Dijsselbloem”.

Em Itália, o ex-primeiro-ministro social-democrata Matteo Renzi, apelou igualmente ao responsável a, “ofender a Itália num bar mas não nas instituições europeias”.

O porta voz do Eurogrupo respondeu à polémica, afirmando, esta manhã, que as declarações de Dijsselbloem, “não visam nenhum país em particular” e pretendiam apenas lembrar “as obrigações derivadas da solidariedade”.

O Partido Socialista Europeu emitiu igualmente um comunicado a condenar as declarações do presidente do Eurogrupo, afirmando, “as palavras de Dijsselbloem não representam a posição do PES”.

A polémica inspirou igualmente alguns vídeos humorísticos na Internet, como este, publicado pelo site português “Insónias em Carvão”.

A polémica ocorre num momento em o futuro de Dijsselbloem apresenta-se como incerto, depois da derrota dos trabalhistas, nas eleições holandesas. O político trabalhista ocupa atualmente o cargo de ministro das Finanças do país, de forma interina, quando o seu mandato no Eurogrupo expira apenas no início do próximo ano. O cargo de presidente da zona Euro é habitualmente ocupado por um ministro das Finanças em funções.