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Japão antecipa a sociedade 5.0 na CeBIT

“Vamos criar um novo mundo com o Japão” – é um slogan que não deixa grandes margens para dúvidas e que marcou a presença massiva do país do Sol Nascente na edição da CeBIT 2017. Tóquio aposta no conceito “sociedade 5.0” num mundo cada vez mais interconetado e veio mostrar precisamente isso em Hanôver, na Alemanha. O Japão partiu à conquista do mundo digital.

Há uma revolução tecnológica no horizonte e o Japão está na linha da frente. O país parceiro desta edição da CeBIT, em Hanôver, na Alemanha, está preparado para a sociedade 5.0.

“Nós estamos a viver o início do quinto capítulo. Hoje em dia, conseguimos encontrar soluções que não tinham resposta até há bem pouco tempo. Esta é uma era onde tudo está conetado, todas as tecnologias estão a convergir. É o advento da ‘sociedade 5.0’”, declarou o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, na abertura do evento.

“Para já, os robôs ainda não vão roubar o trabalho a ninguém”

Tendo sido pioneiros no desenvolvimento de robôs industriais durante décadas, os nipónicos ditam agora o futuro dos androides. O Pepper teve sucesso imediato: é sociável, tem muita conversa para dar e, quem sabe, até poderá arranjar em breve um lugar na receção de um hotel, por exemplo.

Yuta Mitsubori, fundador da Unicast, afirma que “para já, os robôs ainda não vão roubar o trabalho a ninguém. Mas podem sim fazer atividades que libertem os humanos para coisas mais importantes nas quais sejam realmente necessários. É esse o nosso objetivo”.

A tradição dá lugar a algo inesperado… Foi o que o histórico grupo de telecomunicações NTT fez, transformando elementos e máscaras do teatro Kabuki numa experiência digital. Mas por detrás da curiosidade, está uma estratégia de interconexão que abrange setores ancestrais, como a agricultura. Hiroo Unoura, presidente da NTT, considera que “o importante é que cada empresa do grupo possa ajudar os clientes e os utilizadores a criarem novos modelos de negócio ou novos sistemas, em setores diversificados”.

A Dimension Data, que faz parte da NTT, criou uma aplicação destinada aos ciclistas que participam na Volta à França, equipando as bicicletas com um sensor GPS que transmite dados sobre a localização precisa e as velocidades atingidas.

E se quiser, pode experimentar quase 500 mil combinações diferentes de roupa… É a proposta da tecnológica japonesa Seiren, que apresenta um espelho inteligente. O utilizador tira uma fotografia sobre a qual pode testar os mais diversos estilos. Se lhe agradar, recebe as peças escolhidas, em casa, em menos de 3 semanas.

“Até agora, na indústria têxtil, se se conseguisse vender 60% da produção, era um sucesso. Nós só vamos produzir o que vendemos. Pouco stock, prazos de entrega reduzidos e produtos personalizados”, declara Tatsuo Kawada, diretor-executivo da Seiren.

Japão + Alemanha

Mas a CeBIT é também uma oportunidade para estabelecer ou aprofundar parcerias. O exemplo óbvio aqui é o eixo Berlim-Tóquio. Hiroyuki Ishige, diretor-executivo da Jetro (a organização de comércio externo nipónica) salienta que “há muito tempo que há ligações entre as empresas alemãs e nipónicas. O motor a gasóleo, por exemplo… Foi inventado na Alemanha, no final do século 19. E depois, no Japão, uma empresa chamada Yanmar desenvolveu uma versão mais pequena. Há muitos outros exemplos de produtos criados em território alemão que foram posteriormente desenvolvidos no Japão”.

Num mundo cada vez mais conetado, a capacidade que existe de transferência de dados é suficiente? A Fujikura é uma das três maiores fabricantes de fibra do mundo e tem feito avanços na área dos materiais supercondutores. “O que esta fibra de laser tem de especial é o cabo que produzimos. É feito de fibra de vidro e consegue transferir uma quantidade de dados extremamente elevada através de cabos relativamente pequenos”, explica-nos Atussa Sarvestani, da Fukijura.

Ideias não faltam, assim como oportunidades de negócio. Benno Bunse, responsável da agência nacional Germany Trade And Invest, diz ver “a CeBIT como a plataforma ideal para aprofundar colaborações já existentes. Isto representa uma grande oportunidade, sobretudo para as pequenas e médias empresas alemãs, que podem assim descobrir o que se faz a nível internacional na área do digital”.

E já sabemos como os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, serão transmitidos: em 8K, uma tecnologia 16 vezes mais precisa que o Full HD. Yasushi Seito, da estação nacional NHK, realçou que “o 8K é a próxima geração desenvolvida pela televisão pública japonesa”.

E a verdade é que as coisas não vão ficar por aqui…

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