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O tempo dos vulcões


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O tempo dos vulcões

Os vulcões são uma das mais poderosas manifestações da natureza. Podem mesmo alterar a história de um povo. Para compreender a sua evolução, é preciso saber o que acontece precisamente durante as erupções. O Futuris veio até à cratera do Vesúvio, em Nápoles, para falar sobre o projeto Chronos, que pretende estabelecer uma espécie de cronologia da mecânica dos vulcões.

A baía de Nápoles, no sul de Itália, é considerada como sendo, potencialmente, uma das áreas mais perigosas do mundo. A cidade repousa no centro de um sistema vulcânico formado pelo supervulcão Campos Flégreos, por Ísquia e pelo famoso Vesúvio. Ou seja, trata-se do cenário ideal para um grupo de cientistas que desenvolve um modelo de funcionamento das erupções vulcânicas.

“O que menos se conhece sobre os vulcões é o seu sistema de alimentação: onde é que os magmas se formam, como é que evoluem… E para analisar estes fatores utilizamos métodos indiretos, como a tomografia – os raios-X que usamos nos corpos humanos- e, sobretudo, estudamos as rochas em si”, explica-nos Mauro Di Vito, do Instituto Italiano de Geofísica e Vulcanologia.

“Uma rocha é como um relógio parado no momento do crime”

O estudo das rochas é exatamente o núcleo do projeto Chronos, apoiado pela União Europeia, e no qual os investigadores tentam decifrar a ainda misteriosa cronologia de uma erupção. Segundo Diego Perugini, petrologista da Universidade de Perugia, “uma rocha é como um relógio que ficou parado no momento do crime. O Chronos baseia-se neste princípio: a definição das linhas temporais que levaram um sistema vulcânico a passar de um estado de repouso a um estado ativo”.

Não sendo possível avaliar uma erupção a partir do interior do vulcão, o estudo das alterações do magma faz-se a partir dos fenómenos resultantes.

“O modelo que desenvolvemos funciona da seguinte maneira: quando o novo magma alcança a câmara magmática nas profundezas, desencadeia-se um processo de fusão que podemos comparar ao da elaboração de um cappuccino: quanto mais tempo estivermos a misturar o café e o leite, maior a homogeneidade. Graças a esta informação, podemos ler no interior das rochas quanto tempo passou desde o início da fusão até à erupção”, afirma Perugini.

Na Universidade de Perugia, estes cientistas criaram a primeira máquina do mundo capaz de misturar magma, podendo fundir amostras de rochas vulcânicas diferentes. Cada vulcão tem uma marca geológica inconfundível. “Colocamos a rocha no ponto de fusão e apuramos as caraterísticas físicas do magma. Utilizamos um viscosímetro, que mede a consistência a altas temperaturas”, diz Daniele Morgavi, vulcanólogo da Universidade de Perugia.

Uma vez em estado sólido, o magma misturado é analisado para apurar as caraterísticas resultantes. Ao repetir os testes ao longo de etapas diferentes do processo de fusão, é possível obter uma cronologia das alterações químicas e estruturais.

“Aquilo que descobrimos é que entre o início do processo de fusão e o início da erupção em si passam apenas 20 a 30 minutos. A análise estatística que efetuámos, tendo em conta as últimas 200 erupções mais poderosas de que há registo, mostra que este processo ocorre em 99% dos casos”, salienta Diego Perugini.

As erupções vulcânicas continuam a ser um dos fenómenos naturais mais imprevisíveis. O estudo constante do seu modo de funcionamento é uma das formas de tentar minimizar as consequências de uma eventual catástrofe.

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