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Carlos, o Chacal: Defesa e vítimas reagem

Foi a terceira pena imposta pela Justiça francesa ao venezuelano, que insisitu na sua inocência.

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Carlos, o Chacal: Defesa e vítimas reagem

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Com AFP

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"A verdade mediática prevaleceu sobre a verdade da justiça nas mentes dos juízes."

Francis Vuillemin Advogado de Carlos, o Chacal

Ilich Ramírez Sanchez, conhecido como Carlos, o Chacal, foi condenado a mais uma pena de prisão perpétua pela justiça francesa, pelo atentado cometido com uma granada no bairro de Saint-Germain, na capital francesa, em setembro de 1974.

Morreram duas pessoas e 34 ficaram feridas no atentado conhecido como da Publicis Drugstore.

Foi a terceira vez que Carlos, o Chacal foi condenado a prisão perpétua, por atentados terroristas cometidos nos anos 70 e 80, depois de ter sido detido pelas autoridades francesas no Sudão, em 1994.


Muitas das ações levadas a cabo pelo venezuelano, que chegou a ser considerado como o inimigo número um do Ocidente, tiveram lugar em território francês.

No entanto, um dos atentados que mais fama lhe trouxe foi a tomada de reféns na Organização de Países Produtores de Petróleo, a OPEP, em dezembro de 1975, em Viena, na Áustria.

Durante o último julgamento, Carlos disse aos juízes que era um “revolucionário profissional” e insistiu na sua inocência, já que não sabia quem era o responsável pelo ataque ao estabelecimento Drugstore Publicis, situado numa das zonas mais caras de Paris.

“Verdade mediatica foi mais forte do que a verdade jurídica”
O avogado de Carlos, o Chacal, Francis Vuillemin, disse aos jornalistas, uma vez conhecida a sentença, que prevaleceu o que definiu como a verdade dos media em detritmento da verdade da Justiça:

“Nem sabemos que tipo de granada explodiu no estabelecimento de Saint Germain”, disse o advogado.

“Mas Carlos foi condenado. A verdade mediática prevaleceu sobre a verdade da justiça nas mentes dos juízes”, concluiu.

Vítimas “encontraram, finalmente, o culpado”
Posição totalmente oposta foi a expressada por Guillaume Denoix de Saint Marc, da Associação Francesa das Vítimas do Terrorismo. Guillaume Denoix diz que foram muitos anos à espera de uma resposta, mas que esta acabou por chegar:

“De facto, a situação pessoal de Carlos não muda nada, mas, para as vítimas, há uma grande mudança”, disse o presidente da AFVT.


“Foram ditas coisas importantes, a Justiça anunciou um veredito, que, 43 anos depois tem uma extraordinária carga simbólica. Há 43 anos que as vítimas queriam saber quem era o responsável por este ataque e agora sabem que é Carlos”, concluiu.

Carlos, o Chacal, um “revolucionário profissional”

  • 1949- Nasce a 12 de outubro
  • Natural de Michelena, Estado de Táchira
  • 1959- Membro das Juventudes do Partido Comunista Venezuelano
  • 1970- Adere à Frente Popular de Libertação da Palestina e passa a ser conhecido como Carlos

  • 1974-Atentado com granada na Drugstore Publicis, 2 mortos e 34 vítimas
  • 1975-Assassinato de dois polícias franceses, em Paris
  • 1975-Líder do comando que atacou a sede da OPEP, em Viena
  • 1981- Atentado contra a Radio Free Europe, em Munique

  • 1985- Expulso da Hungria, instala-se na Síria, onde permanece inativo
  • 1994- Detido pelos serviços secretos franceses no Sudão
  • 1997- Primeira condenação a prisão perpétua pela Justiça francesa
  • 2017- Condenado a terceira pena de prisão perpétua