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"Negociações do Brexit vão ser complexas e confusas", diz analista


A redação de Bruxelas

"Negociações do Brexit vão ser complexas e confusas", diz analista

Damon Embling/euronews: Quão confuso poderá ser este divórcio entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido? Não vai ser rápido, pois não?

Stefan Lehne/Carnegie Europe: A carta conterá indicações sobre a posição de negociação do Reino Unido. Agora, a UE terá de formular a sua resposta. Haverá consultas entre os 27 países, uma cimeira dentro de algumas semanas e, em seguida, o Reino Unido receberá uma resposta. As negociações efetivas vão começar no início do verão, talvez junho. É muito pouco tempo para um processo de negociação extremamente complexo, porque o artigo 50 diz, claramente, que deve ser concluído em dois anos. Logo, dentro de dois anos, o Reino Unido estará fora da União. Mas não está claro se correrá bem. Se o Reino Unido deixar a União sem um acordo, tal será desastroso para ambos os lados. E falamos só do processo de saída. Um novo acordo de livre comércio vai provavelmente demorar muito mais a ser negociado, pode levar cinco a dez anos.

Damon Embling/euronews: A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que vai negociar de forma dura. Também ouvimos vozes, aqui em Bruxelas e noutros locais da UE, que dizem que não vão deixar que o Reino Unido escolha apenas o que quer. Na prática, como acha que vão decorrer as conversações?

Stefan Lehne/Carnegie Europe: Vai ser incrivelmente complexo e muito confuso. Está muito claro para os Estados-membros da UE que o Reino Unido terá de pagar um preço alto por deixar de pertencer a União. Ficar com o melhor de dois mundos não é aceitável para os 27.

Damon Embling/euronews: Até que ponto a questão central para Bruxelas é passar essa mensagem para o exterior? Até que ponto quer dissuadir outros países de saírem da UE tais como, por exemplo, a França?

Stefan Lehne/Carnegie Europe: O mais interessante é que, na sequência do referendo sobre o Brexit, as sondagens de opinião mostram que o apoio à permanência na UE aumentou em quase todos os Estados-membros. Penso que a economia europeia está agora a recuperar, já não está em tão má forma. Não penso que muitos países irão seguir o exemplo do Reino Unido.

Damon Embling/euronews: É um divórcio, mas certamente o Reino Unido e a UE vão querer continuar bons amigos, não?

Stefan Lehne/Carnegie Europe: Isso é absolutamente verdade, no longo prazo há um enorme interesse. O Reino Unido tem muito para oferecer, é um membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, tem uma política externa muito eficaz, tem serviços secretos fantásticos, pode ter uma grande contribuição para a Europa, ao nível económico, mas também em termos de segurança. Há um grande interesse de todos os 27 países em que a nova relação seja boa para ambos os lados.

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