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Donald Trump e Xi Jiping: Um encontro difícil

É na residência de Mar-a-Lago, em Palm Beach, que Donald Trump vai receber o seu homólogo chinês, Xi Jinping.

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Donald Trump e Xi Jiping: Um encontro difícil

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É na residência de Mar-a-Lago, em Palm Beach, que Donald Trump vai receber o seu homólogo chinês, Xi Jinping. Num ambiente mais descontraído, o presidente norte-americano pensa criar as condições para quebrar o gelo e abordar as questões que alimentam as tensões entre Washington e Pequim.

Em cima da mesa estão muitos dossiês mas um dos mais urgentes é o da Coreia do Norte e dos seus mísseis balísticos. Pyongyang acaba de lançar um enésimo míssil, depois de ter procedido em setembro a um ensaio nuclear que acabou por desencadear mais sanções internacionais contra o regime. Ora, para os Estados Unidos a China é o principal apoio económico e diplomático de Kim Jong-Un.

Num twitt, Trump, ao seu jeito, acusa a China de não trazer a Coreia do Norte à razão: “A Coreia do Norte está a portar-se muito mal. Têm andado “a brincar” com os Estados Unidos há anos. E a China tem feito muito pouco para ajudar”.

Os americanos querem que a China aplique as sanções e as resoluções da ONU contra a Coreia do Norte porque 90% das exportações norte-coreanas vão para a China, mas o governo chinês opõe-se alegando que as consequências seriam graves para a população norte-coreana e garante ter suspendido as importações de carvão que são uma das principais fontes de divisas para Pyongyang.

Nos argumentos de Pequim está o escudo anti-míssil americano na Coreia do Sul. A China bate-se contra o “Thaad” considerando que o dispositivo é uma ameaça colocada à sua porta e que mina os esforços chineses de dissuasão. Trump defende que se trata de uma medida dissuasiva contra Pyongyang e uma arma defensiva para Seul contra o potencial balístico do seu vizinho do norte.

Outro assunto delicado é o mar do sul da China. Pequim reivindica a quase totalidade desta zona estratégica, onde continua a ampliar artificialmente pequenas ilhas e recifes e onde se suspeita possam ser escondidos armamentos. A administração Trump critica esta atiude mas não definiu, até agora, uma política clara para a região.

O desequilíbrio do comércio bilateral também cristaliza tensões. Durante a campanha eleitoral, Donald Trump acusou a China de subavaliar a sua moeda para favorecer as exportações e ameaçou Pequim com direitos aduaneiros muito elevados se não fôr facilitado o acesso dos Estados Unidos ao mercado chinês.

Uma vez mais no Twitter, Trump referiu que o défice comercial com a China – 347 mil milhões de dólares – é um grave problema que tornará difícil esta conversa com Xi Jinping.

A China quer, por seu lado, ver suavizados os controlos à exportação de produtos de alta tecnologia. De referir que o banco da China gastou nos dois últimos anos um trilião de dólares para apoiar o yuan.