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França: Quem são e o que defendem os candidatos à eleição presidencial

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De  Maria Barradas
França: Quem são e o que defendem os candidatos à eleição presidencial

<p>A eleição presidencial em França é esperada com grande expetativa em toda a Europa e a campanha tem sido acompanhada com grande interesse dentro e fora do país. Se os europeus se interessam pelas ideias dos cinco principais candidatos, interessam-se mais ainda pelos escândalos que têm dominado o momento político. </p> <p>A forte subida do Front National(FN) e a clara possibilidade de Marine Le Pen vencer a primeira volta são já razão suficiente para muita gente ficar atenta, mas se juntarmos a isso o “Penélope Gate”, com revelações quase quotidianas sobre a forma como presumivelmente François Fillon, o candidato dos Republicanos, pôs toda a família a trabalhar de forma fictícia na assembleia nacional, da mulher aos filhos, mesmo quando tinham 15 anos; os empregos fictícios pagos pelo Parlamento Europeu aos assessores do Front National; os inquéritos aos financiamentos das anteriores campanhas do FN que levaram o responsável pela comunicação do partido a ser constituído arguído; as investigações e suspeitas sobre o património de Marine Le Pen; as recusas da candidata do FN de comparecer perante os juizes, esta campanha tem sido tudo menos monótona.</p> <p>E porque ao longo de muitas semanas foi muito o ruído e pouca o conteúdo do discurso político, fazemos uma fotografia de conjunto de quem são e do que defendem os <a href="http://candidat-2017.fr/candidats.php">candidatos a esta eleição presidencial</a>.</p> <h4>François Fillon: Les Républicains (LR)</h4> <h3>O candidato</h3> <p><a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Fillon">O candidato em que os Republicanos</a> da direita conservadora depositaram todas as esperanças numas primárias surpreendentes, foi conselheiro municipal, conselheiro regional, deputado, senador, ministro e primeiro-ministro. Ou seja, passou por todas as etapas , numa carreira política que começou em 1970. Era o mais promissor candidato à presidência desde que foi eleito nas primárias da direita, mas a sua campanha foi ensombrada pelo presumível emprego fictício da mulher como assistente parlamentar e o candidato viu-se mesmo ser constituído arguído durante a campanha.</p> <h3>O programa</h3> <p>Disposto a não de deixar abater pelos casos judiciais, <a href="https://www.fillon2017.fr/projet/">Fillon apresentou um programa de rutura</a>, com medidas bastante liberais, como: a passagem da reforma para os 65 anos; o fim das 35 horas de trabalho semanal; a reforma da lei laboral e das bases da segurança social e a supressão de 500 mil empregos na função pública.</p> <h4>Marine Le Pen: Front National (FN)</h4> <h3>A candidata</h3> <p><a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Marine_Le_Pen">É a segunda vez que Marine Le Pen</a>, presidente do FN e filha do fundador do partido, Jean Marie Le Pen apresenta a candidatura à eleição presidencial em França. Em 2012 obteve 17,9% dos votos na primeira volta e, desta vez, todas as sondagens lhe dão a vitória na primeira volta com uma percentagem de votos a rondar os 25%.<br /> Marine Le Pen, que foi advogada em Paris, começou a carreira política no partido durante os anos 90 e ascendeu à liderança em 2011. Foi deputada europeia até 2014 e está em litígio com o Parlamento Europeu por causa dos alegados empregos fictícios dos assessores do Front National pagos pelo parlamento.</p> <h3>O programa</h3> <p><a href="https://www.marine2017.fr/programme/">O programa do FN não tem evoluído muito nos últimos anos</a>, mas a liderança de Marine tem feito pequenos ajustamentos para ir ao encontro deste ou daquele eleitorado, como os reformados, por exemplo.<br /> As medidas emblemáticas do FN são: a saída do euro; a renegociação dos tratados europeus ou o referendo sobre a permanência da França na União Europeia; medidas de protecionismo das empresas francesas; criação de uma taxa de 3% sobre os produtos importados; encerramento das fronteiras à imigração; uma profunda reforma constitucional com a redução para cerca de metade do número de senadores e deputados.</p> <h4>Benoit Hammon: Parti Socialiste (PS)</h4> <h3> candidato</h3> <p><a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Beno%C3%AEt_Hamon">Aos quase 50 anos, o candidato dos socialistas</a> a esta eleição é, também ele, uma das supresas das primárias. Foi só em janeiro que o dissidente do governo de François Hollande se impôs na escolha dos militantes contra o seu anterior primeiro-ministro, Manuel Valls.<br /> Hamon foi ministro delegado para a Economia Solidária e Social – entre 2012 e 2014 – e depois entre abril e agosto de 2014, ministro da Educação. O seu posicionamento na ala esquerda do PS é reivindicado pelo candidato desde a juventude.</p> <h3>O programa</h3> <p>A sua <a href="https://www.benoithamon2017.fr/">campanha está marcada pela proposta do Rendimento Universal de Existência</a>, embora as modalidades dessa medida tenham evoluído ao longo da campanha. Para além disso, o candidato defende ideias como: um vasto programa de investimento ecológico ao nível europeu; a mutualização uma parte das dívidas soberanas europeias; criação de um salário mínimo garantido ao nível europeu, harmonização fiscal na União Europeia; exclusão das despesas de defesa dos cálculos do défice…</p> <h4>Emmanuel Macron: Movimento “En Marche”</h4> <h3>O candidato</h3> <p><a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Emmanuel_Macron">É o mais novo dos candidatos</a> e também o mais difícil de definir politicamente. «Nem de esquerda, nem de direita», diz de si mesmo o candidato que nunca concorreu a nenhuma eleição e que, num ápice, se transformou num dos favoritos deste escrutínio. Formado na Escola Nacional de Administração, a famosa <span class="caps">ENA</span>, Emmanuel Macron começou a carreira profissional como inspetor adjunto das finanças, depois passou a relator da comissão Jacques Attali destinada a relançar o crescimento económico e, logo a seguir, integrou o banco Rothschild, onde rapidamente passou a sócio-gerente. Em 2012, Macron voltou ao serviço público, ao ser nomeado secretário-geral adjunto do palácio do Eliseu – a presidência da républica -, antes de integrar o governo como ministro da Economia, onde o seu nome ficou associado ao projeto de lei sobre o crescimento, a atividade e a igualdade de oportunidades económicas. Ainda como ministro, lançou o movimento “Em Marcha” e demitiu-se do governo a 30 de agosto de 2016, pouco antes de anunciar a sua candidatura eleitoral.</p> <h3>O programa</h3> <p>Aos 39 anos, o homem que se arrisca a ser o mais jovem presidente francês da quinta républica, propõe, entre outras, <a href="http://www.en-marche.fr/emmanuel-macron/le-programme">as seguintes medidas</a>: supressão de 120 mil empregos na função pública, mas criação de mais 4 a 5 mil lugares de professores; uma reforma institucional com regras de moralização da vida pública e fim dos conflitos de interesses; aumento dos efetivos na polícia e criação de mais lugares nas prisões; criação de uma força de cinco mil elementos de guarda fronteiriça europeia; criação de um sistema universal para as reformas e para o desemprego – pondo fim aos privilégios da função pública e de alguns sistemas setoriais -; baixar os impostos para as empresas e fazer da igualdade de géneros uma causa nacional. </p> <h4>Jean-Luc Mélenchon: “La France Insoumise”</h4> <h3>O candidato</h3> <p><a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Jean-Luc_M%C3%A9lenchon">É a segunda vez que Jean-Luc Mélenchon</a> tenta fazer ouvir a voz de uma outra esquerda na campanha da eleição presidencial. Aos quase 67 anos, Mélenchon ganhou a estatura e a serenidade para defender como ninguém as suas ideias. Tem-se revelado o melhor orador de todos os candidatos e está a criar a surpresa nas sondagens, podendo fazer um bom resultado na primeira volta, embora pareça pouco provável que atinja a segunda volta. Mélenchon é um dissidente socialista, tendo desempenhado vários cargos políticos: conselheiro geral em dois mandatos, senador em dois mandatos e ministro delegado para o Ensino Profissional no governo de Lionel Jospin. Após a eleição presidencial de 2002, funda o “Novo Mundo”, uma corrente política à esquerda do Partido Socialista e a seguir faz campanha pelo “Não” no referendo de 2005 sobre o tratado de constituição europeia. Profundamente crítico da deriva liberal do PS e de François Hollande, abandona o partido em 2008 e funda o Parti de Gauche (Partido de Esquerda). Em 2012 candidata-se pela primeira vez à eleição presidencial sob as cores do Front de Gauche (Frente de Esquerda) e alcança um honroso quarto lugar com 11,10% dos votos.</p> <h3>O programa</h3> <p>Nesta corrida, em 2017, o candidato promete fazer melhor e, tanto quanto se pode confiar nas sondagens, poderá consegui-lo. A campanha de Mélenchon está com uma dinâmica que nada nem ninguém pode ignorar e muito menos os restantes candidatos. O candidato da “França Insubmissa” <a href="https://avenirencommun.fr/avenir-en-commun/">apresenta, entre outras, as seguintes propostas</a>: uma nova constituição, uma nova república (a sexta) – uma assembleia constituinte para reescrever a constituição que será submetida a referendo; reforma aos 60 anos; direito de voto aos residentes estrangeiros; interdição de despedimentos nas empresas cotadas em bolsa; criação de um rendimento máximo autorizado; impostos sobre as transações financeiras; saída da <span class="caps">NATO</span>; renegociação dos tratados europeus sob o lema: “Ou mudamos a Europa ou a deixamos”.</p> <h4>Os restantes candidatos</h4> <p>Mas nem só estes cinco estão na corrida para o Palácio do Eliseu. No total são 11 candidatos. Dos outros seis, vários dos quais são repetentes, esperam-se resultados até ao máximo de 5% de votos:</p> <h3>Nathalie Arthaud: Lutte Ovrière (LO)</h3> A candidata da Luta Operária tem 47 anos, reivindica-se comunista, é professora de economia e pretende com a sua campanha “fazer ouvir a voz dos trabalhadores, dos desempregados, dos explorados e defender os seus interesses, por oposição ao patronato e aos acionistas que ganham milhões de milhões”. Em 2012, obteve 0,56% dos votos. <h3>Jacques Cheminade: “Solidarité et Progrés”</h3> O candidato do slogan “Solidariedade e Progresso” tem 75 anos e apresenta uma candidatura anti-sistema, influenciada pelo político americano Lyndon LaRouche – catalogado de extrema-direita, com uma visão complotista, homofóbica e climatocética. Cheminade defende a saída da União Europeia, da <span class="caps">NATO</span> e da zona euro. Sonha também com colonizar a Lua para fazer a partir daí a exploração do planeta Marte. Poucos acreditavam que conseguisse as 500 assinaturas de eleitos para validar a candidatura. É a sétima vez que Cheminade tenta a eleição presidencial e é a terceira vez que consegue candidatar-se. Em 2012 obteve 0,12% dos votos. <h3>François Asselinou: Union Populaire Républicaine”</h3> Que o candidato da União Popular Republicana tenha conseguido validar a candidatura foi a grande surpresa do início da campanha. Fançois Asselinou tem 59 anos, é um enarca, formado na Escola Nacional da Administração e colaborou em diversos gabinetes ministeriais durante os anos 90. O seu programa resume-se em seis letras. Asselinou é o homem do “Frexit”. A sua única medida é a saída da França da União Europeia. <h3>Nicolas Dupont-Aignant: “Debut la France!”</h3> Dupont-Aignant é um dissidente dos Republicanos, do tempo em que o partido ainda era conhecido por <span class="caps">UMP</span> e liderado por um certo Nicolas Sarkozy. Foi em 2007, com o anúncio da candidatura de Sarkozy que Nicolas bateu com a porta e fundou uma formação política denominada Debout la République, que viria a transformar-se, em 2014, em “Debout la France!” No essencial o candidato propõe novos tratados para fundar uma “Europa das nações e dos projetos”, na qual o primado das decisões seja dos estados. Aos 57 anos, Nicolas Dupont-Aignant, que colaborou em diversos governos da direita e do centro e que tenta traçar um caminho entre François Fillon e Marine Le Pen, candidata-se pela segunda vez à eleição presidencial. Em 2012 obteve 1,79% dos votos. <h3>Jean Lassale: “Résistons!”</h3> Sob um slogan que apela à resistência, o ex-companheiro de percurso de François Bayrou no <span class="caps">MODEM</span> conseguiu o passaporte para a sua primeira candidatura presidencial. Jean Lassale define-se como “o defensor dos territórios rurais e de uma ecologia humanista”. O percurso político daquele que é conhecido como o “candidato pastor” começou logo aos 21 anos, com a eleição para a autarquia de Lourdios-Ichère, uma pequena aldeia dos Pirinéus-Atlânticos, com 160 habitantes. Depois cumpriu três mandatos de deputado na assembleia nacional. <p>Jean Lassalle ficou conhecido particularmente por uma greve de fome de 39 dias, em protesto contra a deslocalização de uma fábrica da sua região para a bacia do Lacq, a 65 quilómetros; por uma caminhada por toda a França, em 2013 onde efetuou 6.000 quilómetros de marcha para encontrar as populações. No final afirmou: “Nunca pensei que o nível a que as pessoas detestam os políticos fosse tão elevado”.</p> <h3>Philippe Poutuou: Nouveau Parti Anticapitaliste (<span class="caps">NPA</span>)</h3> Foi à tangente que o candidato do Partido Anticapitalista conseguiu reunir as 500 assinaturas que lhe permitiram participar na segunda eleição presidencial. A campanha não é fácil para este mecânico da Ford e delegado sindical da <span class="caps">CGT</span>, mas o seu estilo descontraído e descomplexado tem-lhe grangeado alguma simpatia. <p>Militante da extrema-esquerda, Phillipe Poutou labora o mesmo terreno de Jean-Luc Mélenchon, sem as mesmas ferramentas políticas e a mesma experiência. Entrou na política como militante da Lutte Ouvrière (LO), antes de passar para a Ligue Communiste Révolucionnaire (<span class="caps">LCR</span>) que, entretanto se tranformou em <span class="caps">NPA</span>.<br /> O candidato defende a passagem às 32 horas de trabalho semanal, numa semana de quatro dias e uma semana de 30 horas para os trabalhos mais duros; quer proibir os despedimentos, passar o salário mínimo para 1700 euros e aumentar todos os salários em França em 300 euros; quer tornar todos os cuidados de saúde e os medicamentos gratuítos; contesta o estado da Europa mas não é anti-europeísta. Defende uma Europa dos trabalhadores e dos povos, com os direitos sociais alinhados em alta para todos os países.<br /> Em 2012, Phillipe Poutou alcançou 1,15% dos votos; desta vez as previsões não são melhores, o que não desmoraliza o candidato que não pretende ser eleito presidente,mas luta por um sistema governativo de democracia participativa.</p>