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O futebol é um jogo para meninas


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O futebol é um jogo para meninas

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As jogadoras do Lleida AEM “estabeleceram um novo ponto de referência para muitas raparigas que sonham jogar futebol”, afirma o técnico Dani Rodrigo.

*“Ainda não têm consciência do feito que alcançaram, de todas as barreiras, tabus e estereótipos que quebraram”*: Dani Rodrigo, treinador do Lleida AEM recorda cada uma das palavras que disse às jogadoras, todas entre os 12 e os 14 anos, depois de garantirem a conquista do campeonato juvenil da Catalunha face a equipas onde reinam os rapazes.

O feito ganha contornos ainda mais gloriosos se considerarmos que esta equipa feminina assegurou o título a quatro jornadas do fim do campeonato e depois de ter perdido apenas um dos 23 jogos disputados até então.

Curiosamente, a única derrota das raparigas aconteceu pouco antes do Natal e foi face ao lanterna vermelha da competição:

*“Era suposto ser aquele encontro que, tipicamente, vencemos sem dificuldades, mas acabamos por perder. Serviu para assentarmos os pés na terra”, afirma o técnico.

Quatro meses depois, com o troféu já assegurado, Dani Rodrigo não se cansa de dizer às jogadoras que *“estabeleceram um novo ponto de referência para muitas raparigas que sonham jogar futebol”.*

Mas, o sucesso não chegou de um dia para o outro.

*“O desafio de criar uma equipa feminina num campeonato masculino nasceu há três anos. Procurávamos um campeonato mais competitivo para que as raparigas pudessem evoluir, ultrapassarem-se. Foi muito difícil convencer os pais e muita gente achou que tínhamos perdido a cabeça. Agora, é claro para todos que foi a decisão certa”*, afirma José Maria Salmerón, o coordenador geral do Lleida.

Na primeira temporada, a equipa sofreu derrota atrás de derrota. No ano seguinte, chegaram ao pódio: terminaram o campeonato na terceira posição. Esta época, já com o campeonato na mão, o clube prefere olhar para o futuro:

*“Temos recebido chamadas de todo o mundo: da Europa, dos Estados Unidos… até já fomos convidados para disputar um torneio no Equador. Estamos estarrecidos, nunca imaginamos nada que se assemelhasse a isto”*, refere Salmerón.

Outra curiosidade é que, há um ano, a equipa feminina do Rayo Vallecano alcançou um feito semelhante, que passou praticamente despercebido na imprensa. Talvez as recentes cenas de violência envolvendo progenitores de jovens jogadores, que motivaram grandes debates, tenham chamado à atenção para os escalões de formação no futebol. De facto, a equipa feminina do Lleida conhece bem os insultos que por vezes chegam das bancadas: *“Alguns pais vociferam comentários impróprios. Às vezes afeta-nos, mas tentamos ignorar essas palavras que só tentam distrair-nos”*, explica Lorena Caballero, uma das jogadoras da equipa.

*“O mais triste é que, em alguns casos é a mãe quem faz comentários a que nos habituamos, infelizmente, a ouvir da parte de homens. Tentamos que seja normal as raparigas jogarem futebol com os homens e é a mãe que se opõe”*, acrescenta José Maria Salmerón.

É por esta razão que na t-shirt que a equipa envergou para celebrar a conquista do campeonato está escrito que “bonecas Barbie também sabem jogar”. Foi bofetada de luva branca que a equipa deu a todos os que, durante a época, lançaram insultos das bancadas.

Lorena prefere recordar o *“gozo que é ganhar aos rapazes. Eles são mais rápidos, mas nós somos melhores tecnicamente”*. Admiradora de Carlos Puyol, o antigo capitão do Barcelona, Lorena sonha tornar-se jogadora profissional no clube da Catalunha. Um objetivo que o treinador Dani Rodrigo sabe, não está ao alcance da maioria:

*“Hoje em dia, praticamente não existem jogadoras em Espanha que possam dedicar inteiramente o seu tempo ao futebol profissional. As nossas melhores jogadoras são obrigadas a deixar o país para jogarem em Inglaterra, nos Estados Unidos ou em França. Espero que num futuro próximo, elas possam viver do futebol na liga espanhola. Afinal, independentemente do sexo, têm uma paixão pelo futebol”*.

Fotos de Xavier Baró

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