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Turquia/UE: Aumenta o número de migrantes que passa de Cesme para a ilha grega de Chios


Grécia

Turquia/UE: Aumenta o número de migrantes que passa de Cesme para a ilha grega de Chios

O campo de refugiados de Souda, em Chios, é um dos dois existentes na ilha grega. Uma cidade de tendas, onde vivem cerca de 800 migrantes. A maioria veio da Síria; os outros vieram do Norte de África, Afeganistão e Irão. Todos entraram pela costa na região de Cesme, do outro lado do Mar Egeu.

Devido ao acordo de refugiados com a União Europeia, o número de migrantes que passa da Turquia para Chios baixou para 25%. Os números oficiais da agência das ONU para os refugiados mostram que estão de novo a subir: em fevereiro chegaram 270, em março, 800. Uma tendência preocupante para os 51 mil habitantes da ilha e para o autarca, Emmanouil Vournous: “Talvez seja o tempo ou talvez sejam razões políticas. Não quero saber quais são as razões. Sei que isto está a acontecer e que é muito difícil para as populações locais e também para os refugiados e migrantes. Não me posso queixar nem dizer nada sobre o que a Turquia está a fazer. A Turquia é um Estado independente, está a agir à sua vontade. Nós, na União Europeia, devíamos ter a nossa política”.

Os dois campos estão cheios. As condições de vida estão a tornar-se insuportáveis. O processo burocrático dos pedidos de asilo obriga os migrantes a ficarem aqui durante meses. Os protestos aumentam e as tensões e os incidentes também. As pessoas sentem-se frustradas e comentam: “A comida não é boa. O que bebemos também não é bom. E os hospitais também são maus”.

Um grupo de jovens exibe um vídeo que mostra um refugiado sírio que deitou fogo a si próprio há apenas uma semana. Um deles afirma: “Isto é um local muito perigoso”.

Outro, conta: “A minha história é que me deram três navalhadas. Uma no coração, outra nas costas e outra na perna. Estive hospitalizado 15 dias. As Nações Unidas não vieram visitar-me”.

Majid tem 25 anos – veio do Sudão e chegou a Chios há três meses. Os outros membros da família ainda estão na Turquia. Já foram apanhados pelos guardas turcos, 5 vezes em Cesme, na costa da Anatólia, a 8 quilómetros de Chios. A Turquia reivindica uma política rigorosa com os migrantes e as autoridades de Cesme dizem levá-la muito a sério. Muhittin Dalgic, o autarca da cidade explica: “Infelizmente há gente que escapa por aqui. Mas enquanto Estado fazemos tudo com as nossas forças de segurança, para evitar as fugas. Todos os dias tentamos apanhar pessoas antes irem para o mar e recolhemos também pessoas do mar”.

A repórter da Euronews, Senada Sokollu refere: “As autoridades turcas voltaram a ameaçar desrespeitar o acordo e enviar 15 mil refugiados por mês para a Europa. Os refugiados e as autoridades gregas em Chios queixam-se das condições de vida nos campos de refugiados e avisam que os recursos estão no limite”.