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EUA Vs. Rússia: terá Assad precipitado o fim do "TrumPutinismo"?

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De  Francisco Marques
EUA Vs. Rússia: terá Assad precipitado o fim do "TrumPutinismo"?

<p>As relações entre os Estados Unidos da América (<span class="caps">EUA</span>) e a Rússia parecem atravessar o pior momento desde a Guerra Fria. Algo que há pouco mais de duas semanas era pouco provável devido a alegada proximidade da Administração Trump a Moscovo.</p> <p>Durante a campanha para as presidenciais americanas, Donald Trump fez várias declarações a antever uma inédita aproximação da Casa Branca à Rússia, caso ganhasse. O então candidato chegou mesmo a considerar Vladimir Putin melhor líder que Barack Obama.</p> <p>Com a surpreendente eleição, houve quem perspetivasse uma nova era: o termo “TrumPutinismo” figurou em alguns artigos da imprensa internacional.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="es" dir="ltr">Trumputinismo, los hombres detrás de la ideología que une a Donald Trump con Putin y Rusia <a href="https://t.co/uHb890Ojwp">https://t.co/uHb890Ojwp</a></p>— <span class="caps">BBC</span> Mundo (@bbcmundo) <a href="https://twitter.com/bbcmundo/status/821695077181493249">18 de janeiro de 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Por outro lado, os democratas denunciaram durante a campanha um ataque informático dos serviços secretos russos contra a candidata Hillary Clinton.</p> <p>Um relatório desclassificado dos serviços secretos americanos alegava que teria sido o próprio presidente russo a ordenar a ajuda cibernética a Trump para desacreditar Hillary e a campanha democrata.</p> <p>O congresso americano examina as supostas ligações entre o círculo próximo de Trump e a Rússia.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">Hillary Clinton says Russia used hacking “to great effect” in her defeat <a href="https://t.co/6rn2EAtEgG">https://t.co/6rn2EAtEgG</a> <a href="https://t.co/yn0ukALqHS">pic.twitter.com/yn0ukALqHS</a></p>— The New York Times (@nytimes) <a href="https://twitter.com/nytimes/status/850283029474017280">7 de abril de 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Após semanas de especulação sobre o conteúdo dos contactos mantidos entre o embaixador russo e Michael Flynn, a 14 de fevereiro o eleito de Trump para conselheiro da segurança nacional demitiu-se. Foi mais um golpe no processo de consolidação da Administração Trump em Washington. Houve outros. </p> <p>Viria contudo a ser o alegado ataque químico, a 4 de abril, em Khan Cheikhoun, na Síria, a fazer ferver a diplomacia entre as duas superpotências numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da <span class="caps">ONU</span>, realizada um dia depois com uma proposta contra o governo sírio redigida por Estados Unidos, Reino Unido e França.</p> <p>O sétimo veto da Rússia, como membro permanente do Conselho de Segurança, a proteger o aliado Bashar al-Assad e as imagens da morte de mais de 70 pessoas, incluindo crianças, com sintomas de exposição a gases tóxicos, levou o presidente norte-americano a ordenar de forma unilateral, dois dias depois da tragédia de Khan Cheikhgoun, o bombardeamento da alegada base aérea síria de onde teria sido lançado o ataque sírio.</p> <p>Na justificação do ataque, Trump apontou o dedo a Assad: “Ninguém pode contestar que a Síria usou armas químicas proibidas, violou as suas obrigações sob a Convenção das Armas Químicas e ignorou o apelo do Conselho de Segurança das Nações Unidas.”</p> <blockquote class="twitter-video" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">Tonight I ordered a targeted military strike…… <a href="https://t.co/3nUzrdiGzX">pic.twitter.com/3nUzrdiGzX</a></p>— President Trump (@POTUS) <a href="https://twitter.com/POTUS/status/850231315584532481">7 de abril de 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Estados Unidos, França e Reino Unido voltaram, entretanto, a propor nova resolução contra o governo sírio a ser debatida esta quarta-feira (12 de abril) em Nova Iorque. </p> <p>Apesar da presença em Moscovo do novo secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, antevê-se novo veto de Moscovo — o oitavo — a bloquear quaisquer ações da <span class="caps">ONU</span> contra o respetivo aliado.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">Busy day. Security council mtg on Political situation in Syria at 10am. Vote at 3:00. It will be very telling.</p>— Nikki Haley (@nikkihaley) <a href="https://twitter.com/nikkihaley/status/852132466429227015">12 de abril de 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Vladimir Putin, por seu turno, acusou os Estados Unidos de estarem a repetir o alegado erro cometido na invasão do Iraque em 2003. </p> <p>“Este ataque à Síria lembra-me quando os representantes norte-americanos no Conselho de Segurança mostraram alegadas armas químicas descobertas no Iraque. Foi lançada na altura uma campanha militar no Iraque e o resultado foi a destruição daquele país, o agravamento da ameaça terrorista no Iraque e o despontar internacional do autoproclamado Estado Islâmico”, afirmou o presidente da Rússia, terça-feira, à margem de um encontro no Kremlin com o homólogo italiano, Sergio Mattarella.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">Vladimir Putin discussed the situation in Syria in the wake of the US missile strikes with the Security Council <a href="https://t.co/6EVrHcyLds">https://t.co/6EVrHcyLds</a></p>— President of Russia (@KremlinRussia_E) <a href="https://twitter.com/KremlinRussia_E/status/850326243799171072">7 de abril de 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Por todos estes recentes acontecimentos e troca de acusações, prevê-se que “TrumPutinismo” esteja ameaçado e que o há muito aguardado primeiro aperto de mão entre Donald Trump e Vladimir Putin tenha de ser agora colocado no gelo. e adiado sem prazo definido.</p>