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EUA Vs. Rússia: terá Assad precipitado o fim do "TrumPutinismo"?


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EUA Vs. Rússia: terá Assad precipitado o fim do "TrumPutinismo"?

As relações entre os Estados Unidos da América (EUA) e a Rússia parecem atravessar o pior momento desde a Guerra Fria. Algo que há pouco mais de duas semanas era pouco provável devido a alegada proximidade da Administração Trump a Moscovo.

Durante a campanha para as presidenciais americanas, Donald Trump fez várias declarações a antever uma inédita aproximação da Casa Branca à Rússia, caso ganhasse. O então candidato chegou mesmo a considerar Vladimir Putin melhor líder que Barack Obama.

Com a surpreendente eleição, houve quem perspetivasse uma nova era: o termo “TrumPutinismo” figurou em alguns artigos da imprensa internacional.

Por outro lado, os democratas denunciaram durante a campanha um ataque informático dos serviços secretos russos contra a candidata Hillary Clinton.

Um relatório desclassificado dos serviços secretos americanos alegava que teria sido o próprio presidente russo a ordenar a ajuda cibernética a Trump para desacreditar Hillary e a campanha democrata.

O congresso americano examina as supostas ligações entre o círculo próximo de Trump e a Rússia.

Após semanas de especulação sobre o conteúdo dos contactos mantidos entre o embaixador russo e Michael Flynn, a 14 de fevereiro o eleito de Trump para conselheiro da segurança nacional demitiu-se. Foi mais um golpe no processo de consolidação da Administração Trump em Washington. Houve outros.

Viria contudo a ser o alegado ataque químico, a 4 de abril, em Khan Cheikhoun, na Síria, a fazer ferver a diplomacia entre as duas superpotências numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada um dia depois com uma proposta contra o governo sírio redigida por Estados Unidos, Reino Unido e França.

O sétimo veto da Rússia, como membro permanente do Conselho de Segurança, a proteger o aliado Bashar al-Assad e as imagens da morte de mais de 70 pessoas, incluindo crianças, com sintomas de exposição a gases tóxicos, levou o presidente norte-americano a ordenar de forma unilateral, dois dias depois da tragédia de Khan Cheikhgoun, o bombardeamento da alegada base aérea síria de onde teria sido lançado o ataque sírio.

Na justificação do ataque, Trump apontou o dedo a Assad: “Ninguém pode contestar que a Síria usou armas químicas proibidas, violou as suas obrigações sob a Convenção das Armas Químicas e ignorou o apelo do Conselho de Segurança das Nações Unidas.”

Estados Unidos, França e Reino Unido voltaram, entretanto, a propor nova resolução contra o governo sírio a ser debatida esta quarta-feira (12 de abril) em Nova Iorque.

Apesar da presença em Moscovo do novo secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, antevê-se novo veto de Moscovo — o oitavo — a bloquear quaisquer ações da ONU contra o respetivo aliado.

Vladimir Putin, por seu turno, acusou os Estados Unidos de estarem a repetir o alegado erro cometido na invasão do Iraque em 2003.

“Este ataque à Síria lembra-me quando os representantes norte-americanos no Conselho de Segurança mostraram alegadas armas químicas descobertas no Iraque. Foi lançada na altura uma campanha militar no Iraque e o resultado foi a destruição daquele país, o agravamento da ameaça terrorista no Iraque e o despontar internacional do autoproclamado Estado Islâmico”, afirmou o presidente da Rússia, terça-feira, à margem de um encontro no Kremlin com o homólogo italiano, Sergio Mattarella.

Por todos estes recentes acontecimentos e troca de acusações, prevê-se que “TrumPutinismo” esteja ameaçado e que o há muito aguardado primeiro aperto de mão entre Donald Trump e Vladimir Putin tenha de ser agora colocado no gelo. e adiado sem prazo definido.

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