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Vídeo 360°: As entranhas do jornal que faz tremer as presidenciais de França

“Le Canard Enchâiné” ou, em português, “o pato acorrentado”, é o jornal responsável pela polémica nas presidenciais francesas. Conhecido como satírico, na política “o pato” não brinca.

Já fez rolar algumas cabeças e agora ameaça mais uma, a do candidato de centro-direita, François Fillon.

A jornalista espanhola da euronews Escarlata Sánchez leva-nos numa visita à redação deste semanário, guiada por um antigo redator-chefe. Claude Angeli explicou-nos porque o “Canard Enchâiné”, embora tendo uma página de internet, resiste em dar um formato digital ao conteúdo do jornal.

“Se tivéssemos colocado os artigos sobre Fillon na internet, o que teríamos à quarta-feira para publicar no jornal? É a demonstração perfeita de que a imprensa em papel pode continuar a existir, pode ganhar até mais vida e pode ser independente tanto quanto um jornalista o consegue ser num jornal”, afirma.

O antigo responsável de redação do “Canard” descreve o semanário como “um contra poder” e acrescenta que a missão do “pato” é “limitar todos os disparates que podem ser cometidos pelos políticos ou pelas instituições.”

Criado em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, o jornal tanto ataca a ala direita da política francesa como a esquerda. Propõe jornalismo de investigação, mas também caricaturas da atualidade e e a pequenos apontamentos de humor.

O desenhador franco uruguaio Pancho é um dos artistas do “pato” assume, do ponto de vista pessoal, ser “muito importante poder trabalhar no ‘Canard’ porque é uma publicação excecional”. “Não só em França, mas a nível mundial”, considera.

“É uma publicação independente e a mim, como caricaturista, o que me interessa é justamente poder atacar os abusos de poder e a linguagem do poder e ter oportunidade de os desarmar porque mesmo nas democracias se sente uma certa opressão”, defende Pancho.

O lema do “Canard Enchainé resume de forma perfeita a linha editorial do semanário: “a liberdade de imprensa só se desgasta se não for usada.”

O atual redator-chefe do “Canard Enchaine” explica-nos que neste semanário se faz “investigação de forma muito séria”. “Mas sem nos prendermos nos prendermos no que é sério. Isto é, investigamos e verificamos várias vezes as informações, mas não o noticiamos em formato de justiceiro ou de forma muito agressiva. Fazemo-lo em tom jocoso como o ‘Canard’ sempre o fez”, alega Erik Emptaz.

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