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Instabilidade na Venezuela: Fábrica da GM confiscada e emissões de três TV suspensas


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Instabilidade na Venezuela: Fábrica da GM confiscada e emissões de três TV suspensas

A instabilidade agrava-se na Venezuela. Opositores e apoiantes do Presidente Nicolás Maduro enfrentaram-se quarta-feira, com um balanço de três mortos, incluindo um militar. O movimento antigoverno apela a novas manifestações.

A fabricante automóvel norte-americana General Motors anunciou a suspensão das operações na Venezuela após a respetiva fábrica venezuelana ter sido confiscada ilegalmente pelo governo.

“A fábrica da GMV foi inesperadamente tomada pelas autoridades públicas, impedindo as operações normais. Além disso, outros ativos da empresa, como veículos, foram retirados ilegalmente das instalações da empresa”, informou a General Motors Venezuela, num comunicado enviado por correio eletrónico aos meios de comunicação, noticia a Reuters.

A emissão de dois canais de televisão internacionais, o colombiano El Tiempo e o argentino Todo Notícias, tal como a do venezuelano Antena3, foram suspensas pelos operadores de televisão por cabo por ordem da Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela.

Durante a “Mãe de Todas as Marchas”, como foram apelidados os protestos de quarta-feira, uma imagem destacou-se: a de uma mulher enrolada na bandeira da venezuela que enfrentou um veículo blindado das forças militares — um modelo conhecido como “rinoceronte” —, impedindo-o de seguir caminho.

O vídeo registado quarta-feira na Venezuela trouxe à memória um outro momento nas trágicas manifestações da praça de Tiananmén, na China, em 1989, e tornou-se viral nas redes sociais da internet.

O protesto de Tiananmen, 1989

“Estamos numa ditadura”

A euronews acompanhou por dento as marchas antigoverno de quarta-feira e falou em EXCLUSIVO com a mulher de Leopoldo Lopez, um dos líderes da oposição na prisão.

“Estamos numa ditadura. Não há lei, não há estado de direito. É isso que queremos resgatar. Queremos democracia, eleições, liberdade para todos os presos políticos e um canal humanitário urgente para poder entrar comida e medicamentos na Venezuela”, afirmou Lilian Tintori.

Falámos também com Mitzy Capriles, a mulher de Antonio Ledezma, outro preso político, que nos disse ser “preciso mostrar ao governo que a oposição não vai abandonar as ruas.”

Para fazer frente à crescente oposição no país, o Presidente mobilizou uma milícia constituída sobretudo por civis treinados pelas forças militares. Nas ruas, porém, os manifestantes não revelam medo de continuar a lutar pelo que dizem ser melhor para a Venezuela.

Uma jovem disse ao nosso correspondente querer “um país melhor” porque a “maioria” da família “foi para o estrangeiro” e ela quer que “regressem”. Outro jovem disse-nos não ter medo da mobilização de forças extra pelo governo porque “a oposição é a maioria.”

Uma outra jovem também disse não ter receio: “Tenho medo que a minha filha morra porque não consigo encontrar um medicamento e isso assusta-me muito mais do que estar aqui (na manifestação).”

Num dicurso proferido quarta-feira no final de uma manifestação de apoiantes do governo, Nicolás Maduro deixou no ar o eventual antecipar das eleições presidenciais no país, como exige a oposição.

O Presidente não revelou uma data, mas garante estar ansioso pelas eleições e que irá ganhar porque, mesmo sem campanha, alega ter o apoio de pelo menos 40 por cento dos eleitores.

Em Caracas, Eduardo Salazar Uribe, o correspondente da euronews na Venezuela, diz ser “esperado que nas próximas horas, a coligação da oposição, a Mesa de Unidade Democrática, anuncie novas ações, incluindo um bloqueio cívico, enquanto o Conselho Nacional Eleitoral e a Defesa do Povo não se pronunciem para solucionar a crise que afeta este país caribenho.”

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