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Ataque de Paris: Campos Elísios retomam a normalidade possível

Entre os frequentadores da zona, há quem diga ser preciso "continuar a viver"; entre as testemunhas, há quem sentiu "muito medo" e quem tentou acalmar alguns estrangeiros em pânico.

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Ataque de Paris: Campos Elísios retomam a normalidade possível

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A avenida dos Campos Elísios, em Paris, voltou esta sexta-feira de manhã ao normal tanto quanto possível. Cerca de 10 horas após o ataque armado contra agentes da polícia, que provocou a morte de um agente e dois feridos, os carros e os turistas puderam voltar a circular sem restrições pela avenida mais emblemática da capital francesa

O Arco do Triunfo também foi reaberto e as filas de turistas foram retomadas para visitar o monumento. O medo era ainda patente entre os transeuntes.

Entre os habituais frequentadores de uma das avenidas mais famosas do mundo, Arvarina recusa render-se ao medo. “O terrorismo acontece aqui, acontece no estrangeiro, está por todo o lado. É preciso continuar. Temos de continuar a viver”, sublinhou.

Uma vez mais, o ataque foi reivindicado pelo grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico (“daesh”/ ISIL). O que motivou de novo vozes contra os muçulmanos em geral.

Hazem Jabri, de 21 anos, rejeita a relação entre terroristas e muçulmanos porque, garante, “não há nenhum muçulmano que mate outro”. “Isso é interdito no islamismo”, lembrou este estudante polaco tunisino para quem “o terrorismo é um fenómeno que ameaça o mundo todo e não tem origem.”

Português pensou ser um filme


Alguns residentes portugueses que habitam próximo da Avenida dos Campos Elísios foram surpreendidos quinta-feira à noite pelo aparato policial concentrado numa zona onde terça-feira haviam decorrido filmagens para a próxima sequela da saga cinematográfica “Missão Impossível”.

“Há dois dias, andava aqui por cima da minha rua e dos Campos Elísios um helicóptero às voltas. Era por causa do filme que está a fazer o Tom Cruise, o ‘Missão Impossível’. Fui perguntar o que se passava. Não me disseram diretamente, mas era qualquer coisa grave e nõ podíamos seguir na direção dos Campos Elísios”, contou à agência Lusa Frederico Oliveira, que reside a pouco mais de 100 metros da avenida mais famosa de Paris.

Lídia Ramos, outra residiente portuguesa na zona, contou que o companheiro lhe tinha dito que “o helicóptero era porque o Tom Cruise estava a rodar um filme”. Mas depois de ter visto “muita polícia a subir para os Campos Elísios” confessou: “isto mete medo.”

Aline Pereira também vive a poucas centenas de metros da avenida e anda “um bocado assustada com tudo o que se está a passar”. “Durante uma boa hora, estiveram carros da polícia praticamente sempre a passar”, lembrou.

Diversos meios de comunicação mantêm-se nos Campos Elísios. As entrevistas sucedem-se para levar aos quatro cantos do mundo o sentimento de quem passa pelo local do atentado de quinta-feira à noite.

Arole, que trabalha na Rua De Berri, uma perpendicular da avenida dos Campos Elísios, estava próximo do local ataque e teve “muito medo”. “Tive medo pela minha vida, pela minha segurança. Refugiei-me na rua Fréderic Bastiat (uma ruela interior). Esperei cerca de 20 minutos para que tudo se acalmasse. Quando saí da rua, corri para o metro de “Saint Philippe du Roule” (a cerca de 300 metros da avenida dos Campos Elísios) o mais rápido que pude e mesmo quando entrei no metro tive medo”, relatou-nos.

O ataque, registado por volta das 21:00 horas locais (menos uma hora em Lisboa), gerou o pânico numa zona sempre muito frequentada por turistas.

Outra testemunha, Chelloug estava numa loja perto do local onde tudo aconteceu. “Havia umas 50 pessoas na loja. A maior parte seriam estrangeiros. Não percebiam o que se passava e perguntavam-nos. Tentei acalma-los porque eles estavam com muito medo. Disse-lhes que estava tudo bem e que já tinham abatido o atacante”, recordou.

Após o ataque, a polícia encerrou a avenida, evacuou o Arco do Triunfo, montou um perímetro de segurança e abriu de pronto uma investigação, que já conduziu à detenção para interrogatório de três familiares do atacante, abatido logo no local por outros agentes da polícia.

O atacante abatido foi identificado como Karim Cheurfi, um cidadão francês, de 39 anos, residente na comuna de Chelles, no departamento de Sena e Marne, a leste de Paris. O homem era já conhecido da polícia e da justiça.

Havia sido detido a 23 de fevereiro por suspeita de intenção de atacar agentes da polícia, mas acabou libertado por falta de provas. Em 2005, Karim Cheurfi já havia sido condenado a 15 anos de prisão por tentativa de homicídio voluntário após ter ferido a tiro com gravidade, em 2001, um aluno da escola de polícia e o irmão deste após uma perseguição em Sena e Marne.

Durante a detenção, há 16 anos, Cheurfi feriu também um agente da polícia a quem tinha conseguido tirar a arma. Colocado entretanto em liberdade condicional, voltaria à prisão em 2014 depois de uma nova condenação pelo tribunal de Meaux, a quatro anos de prisão (dois com pena suspensa), por furto qualificado.